segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A inscrição para o vestibular da USP - parada no tempo?

A USP - Universidade de São Paulo é uma universidade reconhecida nacionalmente e até no exterior. Isso todo mundo sabe e eu nem precisaria dizer. A fama de muitos de seus professores-pesquisadores, em diversas áreas, transpõe fronteiras nacionas e internacionais e serve de referência quando se fala em educação superior.

Todavia, o fato de sabermos e reconhecermos isso não impede que façamos questionamentos. Essa é uma das maravilhas da democracia: liberdade para observar, comparar, elaborar pensamentos, falar sobre eles e fazer questionamentos.

Uma das coisas que me surpreendem em relação à USP é o
vestibular. Não as provas em si, mas o processo de inscrição. Quem já se aventurou a inscrever-se conhece a via crucis. É de uma burocracia e conservadorismo assustadores.
É um dos poucos que não acontece, nem como alternativa, via Internet. Já ouvi comentários do tipo: "Ah, mas é universidade pública!". E daí? A
Unicamp é universidade pública do estado de São Paulo e as inscrições são pela Internet. Sem falar em dezenas de outras país a fora, tanto estaduais quanto federais. Mais as privadas, claro!
  1. O boleto não pode ser pago em caixa eletrônico ou pela Internet porque "precisa ter o registro do caixa" (só faltava ser carimbo!) e tem que ser pago unicamente numa das agências especificamente determinadas para isso, da rede Santander Banespa.
  2. O "kit do candidato" tem que ser retirado exclusivamente nessa agência onde for realizado o pagamento.
  3. O preenchimento da ficha de inscrição é outra novela. Tem código para tudo e para que se possa descobrir cada código muita árvore foi derrubada para compor o número de páginas do dito manual.
  4. A entrega do formulário preenchido só pode ser feita em DOIS únicos dias, em endereços pré-determinados, com filas enormes.

    Isso acaba dando mais o que pensar:
  • Será que não há ninguém com formação nos afamados cursos da USP para desenvolver um sistema de inscrição online?
  • Será que não há ninguém com formação nos afamados cursos da USP para planejar o processo seletivo de maneira mais prática e menos burocrática?
  • Será que não há ninguém com formação nos afamados cursos da USP que administre a instituição com a atenção voltada para questões ambientais, estimulando a redução do uso de papel e do deslocamento no trânsito caótico de São Paulo?
  • Será que quem administra a instituição e o vestibular não sabe que se pode disponibilizar boletos para pagamento e qualquer agência bancária?
  • Será que a automatização e informatização das inscrições acabaria por deixar à mostra um contingente excessivo de funcionários administrativos que sem o vestibular ficaria sem função?
  • Será que a economia que se alcançaria com a informatização do processo não pode ser revertida para finalidades de investimento nos cursos ou nos campi e por isso a instituição não abre mão da burocracia?
  • Será que a dificuldade para realizar a inscrição é uma forma de aparentar maior "importância"? (Xi, o vestibular da USP é ainda mais difícil que a inscrição!)
  • Será que ninguém nunca reclamou desse processo?
  • Será que a USP nunca fez uma pesquisa de satisfação com os alunos e candidatos?
  • Será que todo mundo acha que é assim mesmo e que não adianta reclamar que nunca vão mudar?

Poderíamos encarreirar milhares de perguntas aqui. Na verdade, talvez nem queiramos respostas às perguntas, mas sim a mudança efetiva. Pessoalmente, não pretendo fazer algum novo vestibular na vida. Tenho duas filhas que ainda farão, talvez elas sejam diretamente beneficiadas. Mas, na verdade, estou pensando nos futuros candidatos (milhares e milhares), na imagem e reputação da USP.

A antiga mas sempre atual frase "a primeira imagem é a que fica" vale para todos e para tudo. Qual será a impressão que fica para os candidatos em relação aos processos administrativos da USP?

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A Dell no "eixo do mal"

Quando se fala em riscos à imagem e reputação, dificilmente passa pela cabeça que uma empresa como a Dell poderia estar na linha de tiro.

Pois, pasme! A Dell está passando por um momento que poderá rapidamente transformar-se em uma crise caso não seja dada a devida atenção à recente denúncia, pela Folha de São Paulo, de que a Dell pediu a assinatura de um comprador a um termo de responsabilidade que impede a venda do computador adquirido a países do chamado "eixo do mal".

A empresa alega que segue uma exigência da lei americana e que, se não cumpri-la, a matriz nos Estados Unidos pode ser punida. Entretanto, oo governo brasileiro vê a questão sob outra ótica, conforme outra notícia veiculada no mesmo jornal. A empresa chama-se Dell do Brasil, é uma empresa brasileira, "que recebe inclusive dinheiro do próprio MCT [Ministério da Ciência e Tecnologia] via Lei de Informática" e, portanto, não deve submeter-se a normas de outro país para a venda de seus produtos.

Não sei qual a sua opinião, mas convido-o a pensar um pouco sobre o assunto. Até que ponto uma empresa que tem suas atividades em território brasileiro tem o direito de nos fazer cumprir exigências da legislação americana, ou de qualquer outro país? Quando se fala em ciência, sabe-se que o conhecimento não tem como avançar se não houver a troca de informações, pesquisas e resultados entre diferentes pesquisadores de diferentes países. Certamente os Estados Unidos também têm parcerias na área científica e tecnológica com diversos outros países, sem falar que sabe-se que por anos a fio vem financiando o desenvolvimento de tecnologia e armamento para guerras de outras nacionalidades, embora "por baixo dos panos".

Da minha parte, vinha até pensando em comprar um computador da Dell para substituir os meus cacos velhos em casa. Mas depois dessa, larguei de mão. Assim como a sociedade cada vez mais tem consciência da necessidade de apoiar as empresas que apresentam um trabalho social ou ambiental sério, também temos que evitar aquelas que desenvolvem e aplicam ações sectárias baseadas em razões, no mínimo, discutíveis.

Convido você a acompanhar o desenrolar dessa história. Ela certamente envolve questões de relações públicas em nível internacional. Pode dar um belo estudo de caso para os próximos semestres!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Flip Zero Hora - Um modelo de jornal

O jornal Zero Hora, de Porto Alegre, inaugurou uma nova era na visualização do jornal impresso na web.

Enquanto muitos e muitos bons jornais e revistas por aí não dão acesso às notícias e reportagens aos não-assinantes, e mesmo aos assinantes não disponibilizam nos sites as fotografias veiculadas na versão impressa, o Zero Hora inova e oferece, desde 31 de agosto, a todo e qualquer internauta a oportunidade de folhear página a página a réplica fiel do jornal que vai às bancas ou é entregue em domicílio aos assinantes.

A sensação de "realidade virtual" é fantástica! Como se já não bastasse a diagramação moderna e o formato que tornam a leitura do jornal-papel prática, bem ao gosto do freguês.

Parabéns, Zero Hora e RBS! Que continuem servindo "de modelo a toda terra"!


Homenagem ao 20 de setembro
Revolução Farroupilha - Dia do Gaúcho

sábado, 15 de setembro de 2007

Palestra MVL-Gol - Para lembrar...

Infelizmente não temos fotografias de excelente qualidade, mesmo assim, é possível ter uma idéia da presença maciça dos alunos e dos bons momentos vividos durante a excelente palestra de Mauro Lopes, da MVL Comunicação, no dia 04 de setembro, no auditório Sigma da Universidade Metodista de São Paulo.


Esta fotografia apresenta uma panorâmica da platéia de mais de 300 alunos que lotou o auditório, a maioria formada por estudantes de Relações Públicas, mas também de Jornalismo e vários professores.

Mauro relata aos estudantes a intervenção imediata da assessoria de comunicação, enviando um e-mail do presidente da Gol, que foi divulgado no ar durante a veiculação do programa Mais Você, da Rede Globo, em que a apresentadora abordava a atuação da Gol no atendimento aos familiares das vítimas do acidente com o vôo 1907.

Com atenção, simpatia, honestidade e cordialidade, Mauro ouviu e atendeu dezenas de questionamentos dos alunos após a palestra, por cerca de uma hora.

Mauro Lopes, diretor-presidente, e Silvana Cintra, coordenadora de crises da MVL Comunicação, recebem uma lembrança da Faculdade de Jornalismo da Universidade Metodista, um modesto agradecimento ante a boa vontade demonstrada pelos profissionais ao disporem-se por mais de duas horas para compartilhar experiência e conhecimento com os estudantes de comunicação da Metodista.

Um evento que certamente ficará marcado em nossa lembrança, que nos acrescentou muito, e que a partir de agora eleva as nossas expectativas para palestras futuras.
Em nome dos alunos, da Faculdade de Jornalismo e Relações Públicas da Universidade Metodista, e em meu próprio, registro mais uma vez o nosso muito obrigado ao Mauro Lopes, à Silvana e à MVL Comunicação.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Uma lição completa

A palestra da MVL foi um verdadeiro sucesso de público! Tínhamos uma expectativa entre 160 e 180 pessoas para assisti-la. Para nossa surpresa, o Auditório Sigma, que tem capacidade para 300 pessoas, lotou e ainda ficou muita gente sentada no chão e nos degraus do palco. Além de alunos do 4º, 5º e 6º semestres de Relações Públicas, também tivemos a presença de alunos do curso de Jornalismo, além de vários professores de ambos os cursos.

Mauro Lopes, diretor-presidente da MVL Comunicação, contou em detalhes todo o processo de gestão de crise durante o tempo em que a “sala de crise” da Gol ficou em operação (16 dias) e Silvana Cintra deu o apoio de retaguarda. Por cerca de 1 hora e 20 minutos alunos e professores ficaram absorvidos por todo o relato. Alunos atentos, tomando notas, professores fazendo pequenos comentários entre si e escrevendo lembretes.

Enquanto alguns alunos batiam em retirada por volta das 21h e 20min por precisarem assistir aulas, os demais permaneceram no auditório num pequeno intervalo de menos de 5 minutos. Imediatamente após foram brindados por uma rodada de quase uma hora de perguntas e respostas de alunos e professores em que Mauro Lopes foi incansável, correspondendo à altura os questionamentos, os quais se mostraram interessados, inteligentes e afiados. Ao final, Silvana e Mauro ainda se dispuseram a trocar algumas palavras com alunos e professores que os abordaram na saída do palco.

Certamente, muito mais do que uma noite diferente das aulas normais, tivemos uma oportunidade única de entender como funciona a comunicação numa crise empresarial, e, principalmente, o que é fundamental para que ela tenha resultados positivos. O melhor de tudo, foi termos essa aula explicada e exemplificada por quem entende do assunto e que não tem medo de compartilhar conhecimento e experiência com simplicidade e sem presunção. Uma lição em todos os sentidos!