sábado, 6 de setembro de 2008

Odisséia de uma transferência de veículo – Epílogo

Voltei no Ciretran 5 dias úteis depois.

Para o funcionário que fica fazendo a triagem de quem chega, expliquei que tinha vindo buscar os documentos de transferência.

- Só um momento.

Procurou entre os documentos que ficam dentro de uma caixinha, em ordem alfabética. Terminou e recomeçou. Não estava achando...

- Vou verificar o que houve. É possível que tenha alguma pendência e ainda não tenha sido liberado.

Foi-se o senhor porta a fora ver não sei onde nem com quem o que havia acontecido que o meu documento não tinha chegado. Algum tempo depois ele voltou.

- É, tem uma multa pendente. – Mostrou-me apontando no papel que tinha acabado de imprimir.

Puxa, eu tinha vasculhado tudo e não tinha encontrado nenhuma multa pendente. Pois era uma multa de velocidade aqui de São Bernardo, mas que constava no Detran do Rio Grande do Sul, porque a placa do carro ainda era de lá.

Vim para casa, entrei no site do Detran-RS e imprimi o documento para pagar a multa. Fui no Unibanco e paguei. Dois dias depois voltei ao Ciretran e a resposta foi a mesma: há uma multa pendente no RS.

Não entendi. Mostrei o documento onde constava o pagamento. Mas, o sistema não havia dado baixa. Parece que houve problema de comunicação do sistema... Volte daqui a dois dias.

Voltei. Continuava a multa bela e formosa constando no sistema.

Fui para casa e telefonei para o Detran-RS. O rapaz que me atendeu, muito cordial, explicou-me que o Unibanco não é autorizado para pagamentos do Detran-RS, que o pagamento deveria ser realizado diretamente no Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) ou Banco do Brasil. E ainda aconselhou-me a conseguir que algum amigo ou familiar fosse pessoalmente na boca do caixa, no Rio Grande do Sul, e que mediante o número da placa realizasse o pagamento. A multa sairia imediatamente do sistema do Detran-RS por estarem interligados.

Agradeci e liguei imediatamente para a minha sogra, que é uma pessoa que está sempre disposta a ajudar. Expliquei a situação e ela foi no dia seguinte pagar a multa. Fiquei monitorando o site do Detran-RS. Na noite do dia do pagamento a multa mudou o status de “pendente” para “liquidada”.

Esperei mais dois dias, para ter certeza de que o sistema do Rio Grande do Sul já teria transmitido a informação para São Paulo e voltei no Ciretran. Lá estavam os documentos, novinhos em folha, com o novo número de placa.

- Agora é só a senhora passar lá na casinha azul e colocar as placas.

Peguei o carro, fiz a volta na rua e fui direto para o emplacamento. Deixei o carro lá, na fila, e corri na “casinha azul” para pegar as placas. Estavam lá, esperando por mim! Que bonitas! Nem acreditei...

Daí foi rápido, apresentei os documentos e entreguei as placas para o funcionário. Ele retirou as antigas e colocou as novas em uns dois minutos.

Saí de lá direto para a concessionária, que fica mais ou menos perto. Estacionei na frente da loja, entrei e fui falar com o vendedor que tinha me atendido vinte dias atrás.

- Pronto! Aqui está o documento de transferência.

- Ah, ótimo. Deixa eu falar com a moça da entrega dos veículos para agendarmos.

Telefonou e falou com ela. Desligou e me disse:

- Só tem horário para segunda-feira de manhã.

- Tá brincando! Hoje é sexta-feira, faz exatamente 27 dias que comprei o carro. Será que não dá para a gente fechar a semana amanhã, sábado e terminar essa novela antes que feche um mês do negócio?

- Vou ter que falar com o gerente para ver se ele autoriza.

Foi-se o vendedor falar com o gerente. Enquanto isso, encostei no balcão e pedi um café, para aliviar a tensão. Quando me virei, vi o gerente vindo na minha direção, conversando com outro cliente. Quando ele me vium veio me cumprimentar. Perguntou se estava tudo bem.

- Quase! Finalmente consegui os documentos de transferência do carro e agora, só tem horário para entregarem o novo na segunda-feira. Sinceramente, eu esperava que pudesse passar o final de semana com o carro novo em casa.

- Ah, mas com certeza!

Virou-se e chamou o vendedor.

- Pode falar lá que eu autorizei a entrega para amanhã.

Fomos, o vendedor e eu, até o setor de entrega, e agendamos para o dia seguinte, às 10h 30 a retirada do carro.

Sábado voltei e finalmente consegui fazer a troca dos carros. Ao final de 28 dias, eu deixava meu querido Fiesta antigo e saía com o Fiesta novo. Agora, quando passar por vocês um Fiesta Hatch begezinho, espiem para ver se não sou eu que vou lá, provavelmente com um sorriso de satisfação no rosto. Afinal, nada como enfrentar e superar as dificuldades para dar valor ao que se consegue, não é?

E lembrem-se: se um dia forem morar em outro estado, vendam o carro antes de ir. É mais fácil e dá menos trabalho!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Odisséia de uma transferência de veículo – Parte III

(Depois de um pequeno recesso por razões familiares (além de um pouco de descanso, afinal também sou filha de Deus!), estou de volta pra continuar o relato. Desculpem não ter avisado. Algumas coisas aconteceram de última hora. Espero que todos tenham aproveitado ou estejam aproveitando suas férias e dias de menor trânsito nas ruas para, pelo menos, dormir um pouco mais, assistir televisão, ir ao cinema, colocar a leitura em dia, namorar, ou simplesmente ficar de pés para cima.)

Dia seguinte, levantei cheia de pique, fiz outras coisas que precisava ainda de manhã, nem almocei e fui para o Ciretran. Como eu já havia feito minha nova carteira de habilitação no final do ano passado, sabia onde era. Rodei um pouco para conseguir estacionar do lado oposto da avenida, e lá me fui, com todos os documentos dentro de um envelope plástico. Era meio dia e cinqüenta e cinco minutos. Tinha uma fila na porta, que estava fechada. Daí lembrei: o Ciretran funciona das 8h às 12h e das 13h às 17h. Fecham para o almoço.

Coisa, aliás, que acho difícil de entender não só lá, mas em todos os serviços públicos e mesmo no comércio. Como podem fechar para almoço, se este é o horário que a maioria das pessoas que trabalha em expediente integral pode ir tratar de seus assuntos pessoais? Não seria muito mais lógico se houvesse um revezamento dos funcionários para irem almoçar, de maneira a continuarem atendendo nesse horário? Enfim... Pelo menos no Brasil não existe o horário da “siesta” como em grande parte dos países latinos.

Esperei abrir a porta e, quando fui atendida pelo moço que lá estava em pé fazendo a triagem, ele perguntou se eu já tinha feito a vistoria do carro.

- Não.
Pensei que primeiro tinha que trazer os documentos aqui. Ninguém me avisou que antes era para fazer a vistoria.

- Então a senhora passe naquela casa azul e branca com o carro para fazer a vistoria. Depois que estiver tudo OK, volte aqui.

Ai, ai. Lá fui buscar o carro, fazer a volta, entrar no outro portão, lá adiante, na fila para a vistoria. E tinha váááários carros na fila. Fiquei lá, lendo e corrigindo artigos dos alunos da pós, de vez em quando andando um pouco com o carro para a frente.

Chego na vistoria. Vem um funcionário e pede os documentos. Olha e devolve. Vem outro e começa:

- Farol baixo. Farol alto. Seta para a esquerda. Seta para a direita. Pise no freio. Engate a ré.

E eu fazendo tudo direitinho. Daí a pouco o moço, atrás do carro, diz:

- Faz favor.

Eu olhei para o lado, para a frente, para trás. Vi o moço olhando para a prancheta e anotando. Não, ele não falou comigo.

- Faz favor.

Olhei de novo em volta, para os outros funcionários, para os outros carros. Ninguém falou comigo ou fez qualquer gesto. Que estranho, será que estou ouvindo coisas?

- Faz favor!

Desta vez identifiquei que era mesmo o moço que estava atrás do meu carro que falava em tom de voz mais alto e agora olhando para mim. Botei a cabeça para fora da janela, olhei para ele e perguntei:

- Sim?

- Faz favor.

- Mas faz favor o quê? – quase gritei, meio indignada. Afinal, ele só repetia o “faz favor” e não dizia o que era para eu fazer. Ligar o carro? Andar?

- Faz favor de vir aqui ver uma coisa.

Putz... Podia ter dito antes...

Então ele aponta a placa traseira do carro.

- As lâmpadas da placa estão queimadas. A senhora tem que regularizar isso e trazer o carro outra vez para a vistoria.

Sim, claro. Não poderia ser tão simples. As lâmpadas da placa traseira estão queimadas. Até onde sei, não são itens de segurança obrigatórios por lei (será que isso mudou?). Tudo bem, deve ter sido quando bateram na traseira do meu carro, eu nem tinha notado. Não adianta argumentar nem discutir. Vou atrás de quem arrume isso.

Saí de lá e fui direto numa mecânica que fica na Av. Vergueiro, aqui em São Bernardo (depois eu coloco o nome aqui), onde há pouco tempo atrás eu havia trocado todas as lâmpadas do carro, porque andavam queimando em seqüência. Fui bem atendida lá daquela vez, é uma família de descendentes de japoneses muito simpáticos.

O senhor de mais idade que me recebeu desta vez. Expliquei o que era, e que talvez fosse meio difícil de trocar porque o porta-malas não estava abrindo desde o acidente. Apesar da idade aparentemente avançada, ele não teve problemas pra trocar as duas lampadinhas com rapidez e conseguiu fazer isso sem precisar abrir o porta-malas.

- Muito obrigada! Quanto é?

- R$5,00.

Feliz da vida com a eficiência e eficácia, bem como com o preço baixo, voltei imediatamente para a vistoria. Fila outra vez. Lembrei da Marta “Suplício”: relaxa e goza! Terminei de corrigir todos os artigos dos alunos. Cheguei novamente na vistoria. Apresentei os papéis e já avisei ao senhor que me atendeu:

- Era só para regularizar as lâmpadas da placa traseira. O resto já está tudo OK.

Por sorte ele só verificou isso mesmo, e me liberou. Ufa! Vistoria feita e aprovada.

- E agora? – perguntei ao funcionário.

- Agora a senhora tem que ir naquela porta lá atrás para encaminhar as novas placas da transferência.

- Ah, certo. Como eu faço para chegar ali daqui?

- Ah, não tem jeito. Aqui dentro não tem retorno. A senhora tem que sair, estacionar o carro lá fora e vir a pé.

Sim, claro. Saí e fui achar um lugar para estacionar depois de duas voltas na avenida. Fui até “aquela porta” entreguei o documento, e me disseram que em 5 dias úteis a placa estaria pronta para retirar.

- Certo. E agora?

- Agora a senhora vai levar os outros documentos no escritório do Ciretran lá atrás.

Ah, sim. Aquele onde eu tinha estado antes e precisava ter feito a vistoria. Fui lá. Entreguei os documentos, e de acordo com eles, se não houvesse nada em desabono, multas, IPVA vencido, etc, em 5 dias úteis a transferência de estado estaria concluída e eu poderia retirar a nova documentação do carro: certificado de propriedade, DUT, etc.

Beleza! Entre mortos e feridos, salvaram-se todos! Em uma semana estarei com os documentos na mão e poderei levar meu carro na loja para entregar aos “novos donos” e finalmente retirar meu zerinho. Fui para casa com a sensação de ter descarregado o mundo das costas.

(continua no próximo capítulo)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Odisséia de uma transferência de veículo – Parte II

Passei no tal guichê indicado, pediram meus documentos outra vez, e me deram um papelzinho com o valor que eu deveria pagar na Nossa Caixa para fazer a transferência, com a observação de que se houvesse alguma pendência (multa, parcela do IPVA) isso seria verificado pelo próprio caixa e deveria ser pago junto com a taxa.

Fui para o guichezinho de senhas da Nossa Caixa, também lá dentro do Poupa-Tempo. A moça me deu uma senha e esclareceu que eu deveria aguardar do lado de fora, num dos bancos, até minha senha ser chamada para entrar na agência (onde havia uma fila enorme, em pé). Ou seja, a gente tira a senha para esperar sentada para entrar na fila em pé (?!?!) Com a observação de que todo e qualquer valor deveria ser pago em dinheiro vivo. Então perguntei se podia primeiro pegar a senha para depois ir ao caixa eletrônico tirar dinheiro. Sim, podia! E foi o que fiz. Por sorte o caixa eletrônico do Banco do Brasil estava sem fila, tirei o dobro do valor da taxa de transferência (porque não sabia se haveria ou não alguma pendência de multa para saldar) e voltei ao banco em frente da agência da Nossa Caixa.

Sentei, olhei para os lados, e fiquei tentando entender a lógica da senha para sentar e depois entrar para ficar em pé na fila...

Olhei para o painel de senhas e meu número logo apareceu, não fiquei nem dois minutos sentada. Levantei e fui para dentro da agência, desta vez na fila em pé, por mais uns 15 minutos. O caixa, muito simpático e falante, atendeu-me rapidamente, não havia pendência alguma, paguei e saí. Voltei para o guichê do DETRAN para ver quais eram os próximos passos. Um rapaz, novo na atividade, me deu nova senha, para outro guichê e perguntou se eu já havia feito os decalques.

- Que decalques?

- Do chassi e do motor.

- Não... Onde eu faço?

- Aqui na frente tem uns lugares em que fazem. Mas eles cobram R$20,00. A senhora mesma pode fazer em casa e não precisa pagar nada.

- Ahn... (De cara já pensei em pagar para fazerem, pra não perder mais tempo indo em casa e tals.)

- Então, agora com esta senha a senhora aguarda para ser chamada nos guichês à esquerda. Lá vão lhe dar o documento onde os decalques têm que ser colocados.

Esperei por um tempo até chamarem minha senha e fui para o novo atendimento. Uma moça, muito bonita, pediu todos os meus documentos outra vez, digitou tudo o que era necessário, confirmou endereço, telefone, etc, etc. Ao final do processo, imprimiu um documento, que assinei, o qual dava andamento ao resto do processo.
Com ele em mãos, eu deveria fazer o “decalque” do chassi e do motor, e colar as etiquetas nos lugares indicados.

Saí de lá já olhando para fora, procurando onde faziam os decalques. Vi um estacionamento onde, na frente, dizia: “Fazemos decalques. Fale com os manobristas.” Ótimo, bem pertinho! Peguei o carro e fui direto para lá, entre no estacionamento e parei do lado dos manobristas.

- Pois não?

- Quero fazer os decalques.

- É chassi e motor?

- Sim!

- Não dá para fazer.

- Por quê?!

- É que o decalque do motor fica embaixo do carro, tem que levantar o carro e entrar embaixo. Mas a gente indica quem faz.

E me entregou um folhetinho, com o nome e endereço de uma oficina autorizada pelo DETRAN para fazer os decalques. Fiquei imaginando... Tem que levantar o carro e entrar embaixo. Como é que eu poderia fazer isso em casa? Nem faço idéia de onde fica a tal numeração no motor! Por que não explicam nada disso lá no DETRAN do Poupa-Tempo?

Claro que fui até o endereço indicado. Por sorte, quando cheguei lá, não tinha ninguém na minha frente. Falei que queria fazer os decalques. Pediram os documentos do carro e meus, e mais aquele papel impresso no DETRAN. Entreguei tudo.

- São R$80,00.

Respirei fundo (o carinha do DETRAN não tinha dito que eram R$20,00?):

- OK.

- Leva mais ou menos uns vinte minutos. A senhora pode esperar aqui mesmo.

- OK.

Fiquei sentada num banco observando o trabalho. A parte do decalque do chassi é mesmo barbada, dá tranqüilo pra fazer em casa. Desde que a gente tenha etiquetas brancas do tamanho certo para colocar em cima no número em baixo relevo no chassi e riscar com lápis (lembram quando éramos pequenos e fazíamos isso com moedas?). Agora, o do motor, o buraco é literalmente mais embaixo, bem mais embaixo! Aliás, nem mesmo é decalque. Depois que colocam a mini-rampa para o carro subir e entram por baixo, ficam um tempão raspando (não sei o quê, pois não vi) até o tal número aparecer. Daí, fotografam o número com uma máquina digital, e também fotografam a frente do carro com a placa bem visível para garantir que o motor e daquele carro. E é isso que eles entregam para a gente, mais os tais decalques. Aliás, a etiqueta com o número do chassi tem um detalhe que ninguém, em momento algum, avisou: o número é decalcado duas vezes, um de cabeça para baixo e outro de cabeça para cima, na mesma etiqueta. Provavelmente se eu tivesse colocado o decalque feito
em casa com um só numero de chassi, o processo teria emperrado.

Já era final da tarde. Voltei para casa cansada, com dor de cabeça, mas pronta pra recomeçar o processo no dia seguinte, cedo, quando levaria o documento com todos
os decalques que tinha direito para o Ciretran.


(Continua no próximo capítulo)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Odisséia de uma transferência de veículo – Parte I

Quando se fala em Relações Públicas, é preciso lembrar que elas se aplicam tanto a organizações públicas quanto privadas, organizações não-governamentais, sociedades, empresas individuais, enfim, para todas as áreas. Sempre acho importante dar exemplos reais, de coisas que acontecem não só no âmbito macrocorporativo, mas também no micro. Esta história é com "h", refere-se a uma experiência pessoal como cliente e como usuária dos serviços públicos.
Como é longa, vou relatar em pequenos cápítulos, para não cansar os leitores.

Resolvi trocar de carro. Meu Fiestinha completaria 8 anos de vida agora em junho, dia 26. Era quase um filho. Meu amigo, meu confidente, sempre me levou, ou à minha família, para onde eu quis ou precisei sem reclamar. Já me viu rir e chorar, alegre e brava. Mas, a idade já estava ficando mais avançada, começou com os primeiros sinais de necessidade de manutenção: troca isso, troca aquilo, arruma aquele outro... E o golpe final foi uma batida por trás, em maio, num mini-engarrafamento em que um caminhão de concreto perdeu o freio, bateu numa Fiorino, que bateu numa F-1000, que bateu no Fiestinha. Meu pai já dizia, há décadas atrás, que quando carro começa a dar muita manutenção, tá na hora de trocar. Conforme ele, os carros têm um período de dono. Depois eles mesmos dão sinais de que está na hora da fila andar. Como eu tinha uma grana poupada há mais de dez anos, resolvi encarar.

Fiz uma série de visitas em diferentes concessionárias de diferentes marcas e acabei me decidindo por um novo Fiesta. O carro antigo, bem avaliado (aquela coisa de carro de única dona, bem cuidado, pouco rodado), entrou no negócio, paguei a diferença, encomendei os acessórios (som, alarme), e saí da loja, no dia 24 de maio, feliz da vida, com a promessa de que no dia 02 de junho, segunda-feira, estaria com o carro na mão.

Na quarta-feira, dia 28 de maio, no final da tarde, recebi um telefonema do vendedor dizendo que eu teria que providenciar a transferência do meu carro usado do Rio Grande do Sul para São Paulo, que quando é entre estados a loja não realiza esse processo. Já fiquei meio incomodada, porque só me avisaram disso 4 dias depois da compra, quando eu já poderia ter dado andamento, ido no Poupa-Tempo, etc. O rapaz disse que tentou me ligar duas vezes na véspera e não tinha conseguido falar comigo. Estranho, porque aqui em casa raramente não tem ninguém, não vi nenhuma chamada não atendida no identificador de chamadas do telefone fixo, nem no celular. Enfim... Certamente nada que eu não pudesse resolver em três a cinco dias para ter meu carro novo na mão dentro do prazo.

Quinta-feira de manhã, dia 29, reuni os documentos e fui, lépida e faceira, ao Poupa-Tempo. Primeiro contato com a atendente do DETRAN, expliquei que queria fazer a transferência do veículo do RS para cá e ela me sai com essa:

- Já fez a vistoria do veículo?

E eu:

- Ainda não. Tem que fazer antes?
- Sim, primeiro a vistoria. E como o veículo é de outro estado, a senhora vai ter que levar o veículo lá para fazer a vistoria.
- !

Conseguem imaginar a cena? Fiquei olhando para a moça, estática, com os olhos arregalados por uns 10 segundos, sem esboçar reação. Ela, por sua vez, também ficou me encarando pelo mesmo período de tempo sem também fazer ou dizer mais nada. Tive uma espécie de vertigem, comecei a sentir um calorão, e tentava imaginar como resolveria isso. Teria que pegar o carro e viajar 1.800 Km para levá-lo até o Detran de Porto Alegre para fazer a vistoria e voltar, por mais 1.800km para dar continuidade ao processo. Imaginei pelo menos uns dois a três dias para fazer isso. Não poderia trabalhar nesse meio tempo, pois seriam uma 12 horas de viagem, pelo menos, e na verdade, teria que fazer paradas, descansar, comer, dormir. Lá, teria que ir ao Detran dentro do horário de atendimento para poder fazer a vistoria. Na volta, a mesma coisa, Nem poderia levar alguém para me fazer companhia. Meu marido também trabalha, minhas filhas têm colégio. É, no mínimo, intimidadora e altamente
insegura a perspectiva de fazer uma viagem desse tamanho de bate-e-volta sozinha. Perguntei:

- Mas não tem ninguém, um representante, um despachante autorizado, alguém que possa fazer a vistoria sem que eu precise viajar?
- Não que eu saiba. Vou falar com o meu supervisor, mas tenho certeza que quando a transferência é de estado tem que ser assim.

Foi-se a menina por entre as mesas e por trás do biombo-divisória. Fiquei eu ali, no balcão, sem saber se ria do absurdo da coisa, ou se chorava pela mesma razão. Minutos intermináveis se passaram enquanto eu olhava de longe a moça falando com o supervisor, e eu não conseguia decifrar o que os gestos, movimentos e trejeitos poderiam significar. Volta a moça.

- Parece que é diferente no caso do Rio Grande do Sul. A senhora pode fazer a vistoria no Ciretran daqui mesmo. Mas quando é de outros estados tenho certeza que é sempre assim.

Fiquei imaginando, se Porto Alegre são 1.800 Km, como será para quem quer transferir o carro de Brasília ou Manaus?

- Agora a senhora passa ali, entrega os documentos e vão lhe dar a senha para atendimento no guichê para verificarem a situação do veículo e o valor que a senhora precisa pagar na Nossa Caixa. São as taxas e multas. Depois a senhora faz a vistoria.

Mais aliviada, fui para a segunda etapa da transferência.

(Continua no próximo capitulo)

sábado, 14 de junho de 2008

Cultura local determina formas diferentes de atuação do gestor

Quando falamos em cultura organizacional, é fundamental lembrar que em tempos de globalização, a cultura local, regional ou nacional pode ser influência definitiva na forma de condução dos negócios. Imagine o cuidado que o gestor de comunicação corporativa deve ter ao planejar a comunicação estratégica de uma organização que tem filiais em diferentes regiões ou países!
Leia a matéria publicada na revista Você S/A de maio de 2008 e pense a respeito.
Se quiser, comente aqui seus questionamentos ou conclusões.
Boa leitura!

Estilo flexível
Para ter sucesso como executivo global, é preciso adaptar o estilo gerencial aos padrões locais Por FERNANDA BOTTONI


Quer seguir carreira no exterior? Então saiba que seu principal desafio será se adaptar a uma nova cultura. Essa questão, que já era debatida nas multinacionais,virou preocupação também entre as mais de cem empresas brasileiras em processo de internacionalização. A fabricante de carrocerias Marcopolo, por exemplo, que tem fábricas em quatro continentes, incluiu disciplinas sobre diversidade, espiritualidade e diferenças culturais no MBA que oferece aos executivos que serão expatriados.

Uma boa forma de começar essa preparação é saber que gestores em diferentes partes do mundo se comportam de maneira diferente diante de uma situação idêntica. A Thomas International, consultoria inglesa especializada em análise de perfis profissionais, que há anos coleciona características de executivos, simulou como reagiriam a um problema fictício, formulado por você s/a, profissionais de quatro países, além do Brasil. Conhecer as diferenças culturais permite saber como adaptar o seu estilo gerencial para dançar de acordo com a música, diz Edson Rodrigues, vice-presidente da Thomas International Brasil. Veja o resultado desse exercício e prepare a máscara corporativa que você vai levar na bagagem.

O PROBLEMA
Você trabalha numa empresa nacional em fase de internacionalização. A companhia decide concentrar todos os investimentos na expansão em um determinado mercado. A maioria de seus projetos é cancelada, inclusive aqueles que você propôs. Agora, você tem de reduzir custos e cortar pessoas importantes de sua equipe.



Você reagiria assim se fosse um executivo...
1- ... indiano: Um executivo indiano tentaria manter seus funcionários e utilizá-los em outras áreas, talvez até criando condições para que eles participassem da tal expansão, mesmo se não tivessem o perfil mais adequado para isso. O gerente indiano tem como características a estabilidade e o cuidado no trato com pessoas. Para trabalhar com os indianos, o ideal é evitar conflitos.


2- ... alemão: O alemão levaria mais tempo para demitir as pessoas. “Isso não quer dizer que ele seja mais emocional que os outros. Seu objetivo é fazer tudo como mandam as leis e os regulamentos”, diz Edson. A preocupação com a qualidade é a grande marca dos executivos nascidos na Alemanha. A dica para conquistá-los é buscar ser tão perfeccionista quanto eles no cumprimento de tarefas.
3- ... americano: Diante de um problema como esse, o americano demite pessoas e reorganiza os planos sem pestanejar. Trata-se de um profissional totalmente focado em resultados. Nessa cultura, quem quer obter sucesso precisa ter pulso. E, se realmente não houver saída, deve seguir a nova diretriz à risca. “O profissional
deve estar alinhado aos objetivos da empresa”, diz Edson.


4- ... inglês: Um executivo britânico tentaria buscar uma solução para evitar o corte de pessoas, ou pelo menos de algumas delas. “Eles usam a influência para obter o que desejam e enxergam mais o lado humano”, diz Edson. Para os britânicos, o resultado ainda aparece em primeiro plano, antes das pessoas, mas comunicação e persuasão também compõem seu perfil gerencial.


5- ... brasileiro: E o executivo brasileiro, o que faria? Segundo a Thomas, o perfil gerencial brasileiro é um meio-termo entre o americano e o britânico. Ele pode até ser menos rígido do que o americano em relação às demissões, mas não fica atrás quando o quesito é foco em resultados. Dos britânicos, os brasileiros tomam emprestado o uso da persuasão e da comunicação.