sábado, 7 de novembro de 2015

As Relações Públicas e os três níveis de atuação


Além de não haver muito conhecimento sobre as atividades de relações públicas em geral, também existe uma grande confusão em relação aos níveis de sua atuação bem como às áreas e nichos em que atua ou pode atuar. Um pouco disso já foi possível observar no post anterior, Afinal, o que é Relações Públicas e o que fazem os RPs?

Com certeza o relações públicas e a atividade de Relações Públicas são importantes em qualquer organização do primeiro, segundo e terceiro setores. As grandes empresas foram as primeiras a se darem conta da necessidade de um trabalho de comunicação que não seja unicamente de publicidade e propaganda e com finalidade direta de comercialização de produtos e serviços, pois observaram que os resultados são efêmeros, restritos a pouco mais que o tempo de veiculação. Ao implantarem a metodologia de planejamento estratégico nas empresas, notaram que comunicação também é estratégica e precisa ser trabalhada como tal.

Dessa forma, as atividades de Relações Públicas – quando são desenvolvidas com fins exclusivos, como para lançamento de produtos e serviços de uma organização, por exemplo – são etapas táticas e operacionais que fazem parte de um plano estratégico anterior, geralmente de marketing

Numa organização que tenha a estrutura de comunicação bem elaborada, há, pelo menos três níveis de atividades e respectivos profissionais de comunicação. Numa rápida explicação, temos:

Nível Estratégico

É relativo à gestão da comunicação da empresa como um todo, elabora os planos de comunicação de médio e longo prazo (períodos de gestão comumente em torno de 5 a 10 anos) delineados sobre objetivos gerais e alinhados ao plano estratégico geral da empresa. Os profissionais deste nível geralmente têm mais de 10 anos de graduação, pós-graduação, e vários anos de mercado e são conhecidos como diretores ou gerentes.

É onde são determinadas as políticas e diretrizes de comunicação além de ser responsável pelo acompanhamento do cumprimento cronograma, verificação de resultados e relatório gerencial. É, também, onde são estabelecidos os recursos financeiros que serão disponibilizados para a comunicação corporativa; são analisados e consolidados os relatórios cujos resultados serão divulgados para toda a empresa e para os demais públicos de interesse; é avaliada a relação custo-benefício dos investimentos realizados por período; e avaliada a necessidade ou não de revisões de estratégias, de limite de verbas, do plano de comunicação, realinhamentos, entre outras atividades de alto nível gerencial.

Nível Tático

Trata do desenvolvimento dos programas de curto e médio prazo (geralmente de 1 a 5 anos), que são desdobramentos do plano geral de comunicação, determina objetivos específicos alinhados aos gerais e direcionados a necessidades mais pontuais da organização, bem como as abordagens que serão utilizadas para atingi-los. Os profissionais têm de 2 a 5 anos de formados, especialização ou cursos de curta duração no currículo, e menos tempo de mercado, geralmente enquadrados em subníveis como júnior, pleno e sênior, e orientam e supervisionam a execução.

Aqui são determinados quais os instrumentos que serão utilizados de acordo com as características e abrangência dos públicos-alvo e públicos indiretos; delimitam-se as verbas para cada segmento; determinam-se programas específicos para datas marcantes e para novos produtos e serviços a serem lançados pela empresa; é onde são reunidas e sintetizadas as informações e elaborados os relatórios.

Nível Operacional

É onde são elaborados os projetos de curto prazo (que podem ser de semanas até um ano) que desenvolvem as ações que chegarão até os públicos-alvo. São determinados e detalhados os instrumentos e todos os passos a serem executados para a operacionalização das atividades. Neste nível, trabalham estudantes de graduação em comunicação ou aqueles com até 2 anos de formados (de estagiários a auxiliares e trainees), e estão sob constante supervisão e orientação dos superiores do nível tático. Aqui é que são vistos os profissionais de relações públicas que desenvolvem eventos estratégicos, ou os que elaboram conteúdo para jornais empresariais, murais, sites, blogs, imprensa, pesquisas de opinião, pesquisas de satisfação, tabulações, levantamentos, orçamentos, contatos, redigem releases, fazem registros e relatórios detalhados, etc.
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Isso é o que acontece nas grandes organizações, que têm estrutura física e financeira para tanto. Outras empresas mantêm apenas o nível estratégico em sua estrutura e terceirizam os níveis tático e operacional; ou, ainda, terceirizam apenas o nível operacional. Esse é o nicho em que as agências e consultorias de comunicação geralmente atuam.

Por outro lado, sempre é bom lembrar que instituições não são necessariamente aquelas que são compostas por vários funcionários, com sede em edifícios comerciais, que industrializam e/ou comercializam produtos de consumo de primeira necessidade ou serviços essenciais. A nossa sociedade é complexa e dela também fazem parte as atividades de lazer e entretenimento, esportes, turismo, moda, cultura, etc. Sendo assim, atletas, políticos, atores, músicos, escritores, artistas, celebridades em geral, também são instituições, geralmente com CNPJ, e muitas vezes com representatividade internacional. E, certamente, precisam gerenciar sua imagem e reputação tanto ou talvez até mais que muitas organizações, uma vez que, por terem uma estrutura menor, podem ser prejudicados muito mais rapidamente.

Entretanto, talvez até em função dessa estrutura menor, o mais comum é que essas instituições contem com apenas um ou dois profissionais responsáveis por quase todas as áreas do negócio. São os que costumam chamar de “agentes” ou “empresários”, que, embora muitas vezes sejam administradores, também podem ser advogados, economistas, contadores, jornalistas, relações públicas, além de não ser raro não terem uma graduação específica, mas serem pessoas com visão e tino para negócios.

É comum essas pessoas serem as responsáveis pela administração da carreira da celebridade e contarem com assessorias específicas para algumas áreas, como por exemplo, assessoria de imprensa, jurídica, contábil, publicidade, etc. Na verdade, faltam pesquisas e dados estatísticos capazes de nos dar as informações corretas para podermos conhecer e analisar informações sobre a atuação de Relações Públicas nesse segmento.

Um último lembrete: a indústria da moda vive e sobrevive de imagem, aparência, comportamento, opinião e publicidade, além de contar permanentemente com celebridades tanto como criadores quanto usuários e divulgadores de moda. Certamente o trabalho de relações públicas é fundamental nessa área, e as grandes grifes, que também contam com uma estrutura organizacional mais delineada, têm absoluta consciência da importância da comunicação no seu negócio. Acredito que haja muitos profissionais de relações públicas atuando nessa área, mas, mais uma vez, faltam-nos dados que possam dar base para afirmações mais seguras.

Não seria ótimo se fosse desenvolvida uma grande pesquisa nacional para conhecermos melhor a realidade da comunicação e das Relações Públicas no país?

Espero ter ajudado um pouco a esclarecer as dúvidas de muitas pessoas, ao mesmo tempo em que deixo a provocação para nós mesmos e outros profissionais e interessados:

- Quais seriam as formas de ampliarmos o leque de conhecimento sobre a atuação das Relações Públicas no Brasil para que possamos, também, difundir nossa profissão e aumentar nosso mercado?

Afinal, o que é Relações Públicas e o que fazem os RPs?

Neste post de hoje e no próximo, procuro esclarecer mais um pouco sobre o que é e o que não é Relações Públicas, sobre o que nós, profissionais, fazemos e não fazemos nessa atividade que tantas vezes é confundida com outras e até mesmo incompreendida.

Análise de cenários e mercado – o profissional de relações públicas tem conhecimento e formação para realizar uma ampla análise de cenário e do mercado em que a organização está inserida. Essa é uma das primeiras etapas do trabalho de um RP, pois não é possível que seja desenvolvido um plano com previsão de resultados positivos se não houver o conhecimento prévio da real situação em que a empresa se encontra.

Autoconhecimento e verdade – o profissional de relações públicas promove o autoconhecimento da organização para que esta identifique suas verdades, seus valores, sua cultura, seus princípios e a partir disso estabeleça as diretrizes que balizarão os relacionamentos com todos os seus públicos de interesse.

Busca de resultados tangíveis – embora o profissional de relações públicas não tenha como objetivo direto a venda de produtos e serviços, esse é um objetivo indireto, mais propriamente, uma conseqüência do estabelecimento de relacionamentos duradouros e harmoniosos entre a organização e seus públicos. Dessa forma, as ações de relações públicas têm resultados mensuráveis e tangíveis, na medida em que o aumento das vendas, o retorno e a fidelização dos clientes, o aumento da produtividade e da qualidade do serviço dos funcionários, a valorização das ações da empresa no mercado e o fortalecimento da marca têm impacto direto no faturamento e no lucro da organização.

Equilíbrio de benefícios para a organização e a sociedade – um relações públicas tem sempre em mente que o sucesso da organização está diretamente ligado ao desenvolvimento socioeconômico do país e, portanto, gera impactos na sociedade. Dessa forma, as relações públicas trabalham para estabelecer e harmonizar relacionamentos que promovam o equilíbrio da satisfação tanto das organizações quanto da sociedade.

Informação e comunicação adequada – o trabalho de relações públicas tem como principal ferramenta de relacionamento a comunicação excelente entre a organização e seus públicos, ou seja, a transmissão clara das informações necessárias numa linguagem, instrumentos, meios e canais adequados às características de cada público. Uma mesma informação pode ser transmitida de diferentes formas, de acordo com cada público, para que seja recebida e compreendida com o máximo de facilidade e o mínimo de dúvidas.

Mapeamento de públicos – embora a maioria as pessoas pense que os públicos de uma organização resumem-se aos clientes e funcionários, na verdade eles são muitos além desses. Para conhecer todos os públicos que influenciam a empresa ou sofrem influência desta, é necessário que seja feito um mapeamento, de acordo com a área de atuação da empresa, área geográfica, interesses de negócio, jurisdição legal, entre muitos outros fatores.

Pesquisa de necessidades e expectativas – num relacionamento, seja da espécie que for, existem necessidades e expectativas de todas as partes envolvidas. É papel do relações públicas buscá-la, conhecê-las e interpretá-las, tanto de cada público quanto da própria organização, para que possa promover o equilíbrio da satisfação de todos.

Porta-voz empresarial – o profissional de relações públicas tem preparo para ser o porta-voz oficial de uma organização quando esta não dispõe de um representante do alto escalão preparado para sê-lo. Entretanto, o relações públicas procura sempre capacitar os líderes da organização para que eles mesmos desempenhem esse papel.

Realização de eventos estratégicos – de acordo com os objetivos estratégicos de relacionamento e comunicação, o relações públicas planeja e coordena eventos corporativos de diferentes portes e com diferentes públicos.

Relacionamento – é a palavra-chave que orienta o trabalho de relações públicas. Com base em conhecimentos da área da psicologia social e da sociologia, entre outras disciplinas, o relações públicas sabe que “tudo é feito por pessoas e para pessoas” e que, desta forma, nada é possível se não for estabelecido um relacionamento positivo entre as partes envolvidas para que os interesses entre as partes sejam alcançados satisfatoriamente.

GESTOR ESTRATÉGICO DA COMUNICAÇÃO – O profissional de relações públicas levanta informações, analisa-as e interpreta-as, e a partir desse conhecimento desenvolve planos estratégicos de comunicação únicos, customizados, para cada tipo de organização. Assim como as pessoas são diferentes entre si, as empresas também têm personalidades próprias, bem como histórias, percursos, experiências e objetivos diferentes. Não existe, portanto, uma receita pronta de comunicação e relacionamento que possa ser aplicada a todos ou vários tipos de organizações. O profissional de relações públicas tem conhecimento teórico e prático para desenvolver planos sob medida para as empresas, o que o torna um gestor competente e especializado da comunicação estratégica de uma organização.

Mas, então o que NÃO É NEM FAZEM os Relações Públicas?


Acompanhante de executivos – Embora muitas vezes o profissional de relações públicas acompanhe ou assessore o alto escalão da empresa, sua função nesses casos é evitar conflitos, orientar o assessorado em relação a questões de cerimonial e protocolo, receber eventuais solicitações de entrevistas e organizá-las, entre outras atividades relativas a aparições públicas do assessorado.

Assistente de diretoria ou presidência – Assistente é o auxiliar ou adjunto do diretor ou presidente, em uma área específica de conhecimento técnico ou das atividades gerais do assistido. Pode ser um secretário executivo, por exemplo, que tem conhecimento de todas as atividades do diretor ou presidente e organiza a sua agenda e toma as providências necessárias para que o superior possa realizar com maior agilidade suas funções.

Catador de clientes – O profissional de relações públicas não é alguém que “pega clientes à unha” para divulgar produtos e serviços e convencê-lo a comprar. Muito pelo contrário, em relação aos clientes, que são apenas um dos muitos públicos de uma organização, o RP busca conhecer seu grau de satisfação em relação à organização, bem como captar e compreender suas necessidades e expectativas, de maneira a estabelecer com ele um relacionamento duradouro, muito além da simples aquisição de produtos ou serviços.

Construtor de Imagem – As Relações Públicas não “constroem” imagens, até porque imagem é um produto da percepção dos diferentes públicos da organização, e a percepção dos públicos pode ser muito diferente da percepção do próprio profissional de RP ou dos demais membros da organização. De acordo com o grau de informação, da cultura individual e social, do nível intelectual e da educação formal, entre outros itens, os indivíduos e grupos sociais percebem uma mesma situação, organização ou pessoa de diferentes formas.

“Enfeite” de eventos – Por mais que um profissional de relações públicas tenha boa aparência, vista-se bem, seja desenvolto e simpático, de forma alguma é apenas uma peça decorativa ou de atração de um evento. Para isso servem acessórios de decoração como faixas, flores, luzes, obras de arte, balões coloridos, etc.

Hipocrisia, ilusionismo e falsidade – As relações públicas não trabalham com a simulação da realidade, charlatanice ou mentira. Só é possível construir relacionamentos verdadeiros e duradouros se de acordo com os valores éticos e morais, diretrizes e filosofias reais sobre o qual se alicerçam as organizações.

Operador de telemarketing – O telemarketing é uma ação de marketing cujo principal propósito é prospectar clientes e vender produtos e serviços. O profissional de relações públicas não desenvolve ações diretas de venda.

Promotor de festas – Confraternizações, comemorações, congressos e outros tipos de eventos são instrumentos de comunicação com diferentes objetivos e desenvolvimentos que podem ser utilizados pelos profissionais de relações públicas desde que dentro de uma linha de raciocínio tático com a finalidade de atingir objetivos estratégicos.

Recepcionista de luxo – Uma das atividades relativas às relações públicas é atender com atenção e cuidado todo e qualquer público que dirija-se à empresa, seja com o propósito de fazer reclamações, sugestões, ou qualquer outro objetivo. Entretanto, não é função de relações públicas atuar como um recepcionista ou telefonista, para o que existem profissionais específicos.

Vendedor ou representante de produtos e serviços – Um profissional de relações públicas, como já dito anteriormente, não tem como uma de suas atividades fazer propaganda ou vender serviços ou produtos de uma organização. Tais atividades são ligadas à área comercial ou à de marketing, mas podem ser utilizadas como um canal de transmissão ou recepção de informações.

CONTATO DA EMPRESA COM OS CLIENTES – O profissional de relações públicas pode desempenhar, muitas vezes, atividades de relacionamento com públicos específicos, como é o caso da ouvidoria, por exemplo. Entretanto, o principal meio de contato de uma empresa com os clientes são os canais diretos de venda, sejam vendedores, representantes, distribuidores, sites de e-business, etc, cujo objetivo é oferecer produtos e serviços e converter essa oferta em aquisição.


Como um maestro e sua orquestra, o RP orienta e conduz a comunicação de uma organização.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Comunicação corporativa – que “novidade” é essa?

Não se assuste, comunicação corporativa não é uma nova ciência ou nova modalidade de comunicação. Na verdade, para nós, relações-públicas, o que tem de mais novo é, mesmo, o nome. Quem já ouviu falar ou já aprendeu alguma coisa sobre comunicação organizacional ou comunicação empresarial, não está longe da comunicação corporativa.

O que ocorre é que a expressão “corporativa” entrou na moda. Enquanto até uns anos atrás se usava organização ou empresa para nos referirmos ao conjunto de todas as divisões de uma instituição, hoje, em função da ascendência inexorável das multinacionais, que geralmente são de origem estrangeira e que têm cada vez mais filiais espalhadas pelo mundo, passou-se a dizer corporação. 

Em termos de Brasil, nada mais natural. Afinal, não é necessário sermos grandes analistas antropológicos e linguísticos para sabermos que as expressões americanas, ou, pior, americanizadas, são uma verdadeira febre nacional. Em inglês, corporation nada mais é do que “uma empresa de negócios”, conforme o velho e bom dicionário Oxford (5th edition, p. 260).

Então, vamos deixar claro, desde já, que comunicação corporativa, comunicação organizacional e comunicação empresarial são sinônimos e que assim serão utilizados neste artigo.

Os princípios da comunicação organizacional não mudaram muito ao longo do tempo. Trata-se da gestão da comunicação estratégica da organização, ou seja, o planejamento e a administração dos relacionamentos da empresa pela utilização dos princípios da comunicação social, com o objetivo de construir e manter a identidade, imagem e reputação empresariais perante todos os seus públicos. Dessa forma, considera-se a empresa como um todo, um corpo único, que, embora formado de diferentes partes, segue (ou deveria seguir) os parâmetros determinados pelo caráter e personalidade que a caracterizam e orientam todas as suas ações e reações.

A comunicação corporativa, portanto, segue ocupando-se da análise do ambiente em que a empresa se insere, identificando e conhecendo as especificidades dos diversos públicos com os quais se relaciona. A partir disso, desenvolve estratégias de comunicação adequadas para atingir esses públicos e, então, auferir resultados alinhados aos objetivos organizacionais – sem perder de vista o movimento cada vez mais veloz de constante mudança no mundo globalizado. A diferença, entretanto, da “antiga” para a nova comunicação empresarial, encontra-se na evolução e revolução constante das necessidades e expectativas dos públicos, que deixaram de ter o posicionamento passivo e condescendente do início do século vinte, para assumir, demonstrar e manifestar suas vontades, exigências ou mesmo carências e demandar atenção cada vez mais individualizada.

As principais funções da comunicação corporativa são reconhecidas (ARGENTI, 2006) como sendo as de:
  1. gerenciamento da reputação;
  2. propaganda corporativa e ações que beneficiem a sociedade;
  3. relações com a mídia;
  4. comunicação de marketing;
  5. comunicação interna;
  6. relações com os investidores;
  7. responsabilidade social; 
  8. relações com o governo; e 
  9. gerenciamento de crise.
Embora estejam, assim, categorizadas, facilmente se observa que há uma estreita inter-relação entre esses conceitos, uma vez que são interdependentes apesar de conservarem suas características específicas.

Em cada uma das situações citadas, podem-se verificar algumas mudanças de foco. Quando se fala em gerenciamento da reputação, o que fica mais claro é que, embora a imagem organizacional ainda seja a menina dos olhos da comunicação empresarial, e, portanto, das relações públicas, o conceito ampliou-se muito. Enquanto a imagem é baseada principalmente na percepção dos públicos em relação a uma organização, e que, portanto, pode ser “maquiada” para garantir maior aceitação, a reputação baseia-se na credibilidade da empresa no mercado, no correr de uma linha de tempo que remonta às suas origens.

Hoje, dá-se muito mais relevância a questões como caráter, personalidade, coerência, honestidade, valores morais, do que à simples “aparência” externa, embora esta precise estar em harmonia com aqueles, em nome da consistência do conjunto de informações. Estranho seria, por exemplo, se um executivo de uma empresa, que se propõe a comprometer-se com a defesa do meio ambiente, fosse fotografado numa festa calçando um sapato de couro de jacaré.

Quanto à função propaganda corporativa e ações que beneficiem a sociedade, vê-se que cada vez mais as organizações apercebem-se da necessidade de desenvolver ações voltadas para a sociedade, sem cunho comercial, comprometendo-se com a cidadania num sentido amplo, como parceiros dos gestores da área pública. 

A realidade menos favorecida de muitos países nos quais as multinacionais mantêm filiais ou sucursais torna-se um estímulo à conscientização das grandes corporações em relação ao seu papel de apoio às políticas e projetos governamentais, especialmente aqueles voltados para a saúde, saneamento básico, educação e cultura. Dessa forma, é cada vez mais comum ver-se propagandas de diferentes empresas em diversos meios de comunicação, apoiando campanhas de vacinação, de controle de pragas, incentivo à leitura e atenção à qualidade de vida, por exemplo.

Ao se falar de relações com a mídia, a primeira ideia que nos vem à mente é a das assessorias de imprensa, muitas vezes terceirizadas, com a propagação quase indiscriminada de releases. Imagine quão satisfeito você ficaria se as empresas enviassem mensagens para sua casa e depois ficassem telefonando para saber se você as recebeu. Pois é. Jornalistas também não gostam disso! E é aí que encontramos o foco do relacionamento com a mídia, bem além da assessoria de imprensa que tem um cunho mais comercial e impositivo.

O relacionamento com a mídia pretende estabelecer relações mutuamente positivas, em que a empresa se posicionará como uma fonte de informações confiáveis e de expertise na sua área de atuação para a mídia, e a mídia como uma parceira, capaz de ampliar e diversificar o alcance das informações sobre a empresa que auxiliarão na formação de opinião do público quanto à sua imagem e reputação.

Todos sabemos que quem tem a incumbência de trabalhar a concepção, demanda, determinação de preços, promoção e distribuição de produtos e serviços é o profissional de marketing – que em inglês é a “teoria e prática de apresentação, publicidade e venda de bens” (OXFORD, p. 718). Entretanto, comunicação de marketing é a orientação e acompanhamento das ações de marketing, de maneira que estejam alinhadas com as políticas e diretrizes estratégicas de comunicação organizacional, evitando distorções que poderiam confundir a opinião pública em relação à identidade, imagem e reputação da empresa. 

Trata-se de um trabalho interno de parceria para manter a harmonia e congruência da comunicação com o objetivo comum de alcançar resultados organizacionais positivos, tanto financeiros quanto institucionais.

Em tempos de globalização, de acesso quase ilimitado à informação, de maior nível de formação e especialização dos trabalhadores nas organizações, o chamado “público interno” é hoje muito mais consciente do próprio valor enquanto ativo humano e principal agente das atividades da organização. Portanto, está diretamente relacionado à capacidade da empresa para gerar lucro e difundir sua imagem e reputação no mercado.

Por isso, a comunicação interna encontra-se num novo patamar em que as ações voltadas a esse público precisam estar ancoradas num mesmo núcleo estratégico de comunicação, considerando não só o corpo funcional como um todo, mas também os diferentes segmentos e individualidades. Mais uma vez, a coerência na comunicação é imprescindível, de maneira que os funcionários tenham, na prática, as mesmas possibilidades de receber, enviar e buscar informações da organização, e que sejam reconhecidos e tratados como viabilizadores do sucesso e da continuidade da empresa.

As relações com os investidores também não são novidade. Todavia, o perfil dos investidores mudou muito nos últimos anos e têm-se desde grandes instituições financeiras até pessoas físicas dentro desse segmento de público. Em consequência, surgiu a necessidade de diversificar a linguagem e as formas de relacionamento, de maneira mais direcionada, adaptando-se o modo e os meios de divulgação das informações de acordo com as características e expectativas de cada tipo de investidor. Isso implica em monitorar e atender permanentemente as necessidades e interesses dos investidores, de maneira a, além dos resultados financeiros, proporcionar-lhes também um ambiente de confiança que dê estabilidade à organização em casos de eventuais crises.

Sabe-se que uma das palavras de ordem dos nossos tempos é a responsabilidade social. A crise econômica que assola uma grande parte dos governos de vários países trouxe à tona a sua incapacidade de gerir com exclusividade as necessidades das populações, especialmente as de menor poder aquisitivo. Com isso, as organizações passaram a assumir parte dessa responsabilidade, através de políticas, projetos e ações sociais nas mais variadas áreas, inclusive a ambiental, como forma de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população, evitar um colapso ecológico de proporções globais e garantir a própria sobrevivência. Essa é mais uma função da comunicação corporativa, uma vez que planos de responsabilidade social devem invariavelmente estar de acordo com as políticas e diretrizes estratégicas da organização e têm influência direta na formação e manutenção da identidade, imagem e reputação empresariais.

As relações com o governo sempre tiveram importância estratégica nas organizações. Uma simples alteração numa lei que tenha impacto sobre as atividades da empresa pode gerar uma crise e até dificultar ou mesmo inviabilizar a continuidade das operações. Dessa forma, estabelecer e manter boas relações com as entidades governamentais e seus representantes, colaborando com os mesmos em termos de informações, pesquisas, opiniões de especialistas, relatórios são atribuições inerentes à comunicação corporativa, ao lado do permanente e transparente cumprimento das obrigações legais da organização, que garantem-lhe a boa vontade mínima por parte do governo para incrementar o relacionamento.

A cada dia observa-se que catástrofes, incidentes, acidentes e outros acontecimentos inesperados ocorrem com maior frequência e com amplitude de impacto cada vez maior, muito por causa da mundialização da economia e da agilidade com que as informações perpassam os continentes. Qualquer que seja o evento desafortunado, os riscos de uma crise se desencadear são enormes, e, dependendo da forma como for administrada, pode levar a empresa ao seu fim.

O gerenciamento de crise, ou gerenciamento da comunicação de crise, tem papel fundamental na administração da crise. O planejamento com antecedência de como, quando e com quem agir em situações extremas é prioritário, pois no momento em que acontecem, a improvisação é o pior caminho. O raciocínio precisa ser muito rápido e há excesso de informações e preocupações das mais diversas origens circulando, o que dificulta a clareza para a tomada de decisões e cujos efeitos podem ser prejudiciais e até fatais para imagem e reputação organizacionais.

Todas essas funções da comunicação corporativa, como pode ser visto acima, têm influência umas sobre as outras e precisam ser regidas como se fossem diferentes instrumentos de uma mesma orquestra. E justamente por isso precisam estar reunidas sob a batuta de um mesmo regente, que, nas grandes corporações costuma ser conhecido como a Assessoria de Comunicação Corporativa.

Certamente, se você for ouvir um concerto, notará que alguma coisa está errada se um ou mais instrumentos estiverem tocando em outro tom, ou às vezes até uma outra música. A dissonância ou estridência machucará o seu ouvido e o seu conceito sobre aquela orquestra ou banda será afetado. Provavelmente você nunca mais gastará um centavo para comprar uma entrada para apresentações dela. E ainda aconselhará familiares e amigos a fazerem o mesmo. Você já pensou que com isso poderá estar decretando o fim de carreira do conjunto? Não é à toa que existem bandas que surgem meteoricamente num mês e desaparecem antes de o ano acabar. O mesmo se aplica às corporações.

Então, só para lembrar o título, comunicação corporativa não é novidade nenhuma. É apenas o aprimoramento dos nossos conhecimentos e da prática da comunicação empresarial de acordo com os novos tempos e com as novas nomenclaturas em voga: Relações Públicas na cabeça!

terça-feira, 20 de março de 2012

Mídias Sociais... e agora? e Blogs Corporativos: modismo ou tendência?

No próximo dia 28 de março, quarta-feira, a partir das 19 horas, a Relações Públicas Carolina Terra estará na livraria FNAC do Shopping Morumbi, em São Paulo, para lançar seu novo livro Mídias Sociais... e agora? e da 2ª edição de Blogs Corporativos: modismo ou tendência?


É uma oportunidade imperdível para prestigiarmos pessoalmente uma grande profissional que nos presenteia com o seu conhecimento!


Carolina Frazon Terra é doutora e mestre em Interfaces Sociais da Comunicação, especialista em Gestão Estratégica da Comunicação Organizacional e Relações Públicas, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), e formada em Relações Públicas pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Campus de Bauru (Unesp/Bauru). Em seu currículo, há pesquisas sobre novas tecnologias de comunicação – redes sociais on-line, além de trabalhos como diretora de mídias sociais da Agência Ideal, coordenadora de comunicação corporativa do site de e-commerce MercadoLivre e como Relações Públicas da Vivo, além de ser professora do curso de Relações Públicas da USP e da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap). Também soma experiências como professora de cursos de pós graduação em mídias sociais na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e no Centro Universitário Belas Artes.

Mídias sociais… e agora?

O papel do livro é informar os leitores sobre o que são as mídias sociais corporativas e o que deve ser feito para que um projeto de mídias sociais seja implementado nas empresas em que trabalham. No caso dos estudantes de graduação ou pós-graduação, o intuito é mostrar como fazer um planejamento de comunicação aplicado às mídias sociais.

Além de oferecer um panorama das mídias sociais no Brasil e as orientações sobre todos os passos necessários para a construção de um projeto corporativo nessa área, a autora apresenta, com exclusividade, a matriz de presença e engajamento e a régua de posicionamento. Essas ferramentas foram criadas por ela para nivelar as organizações quanto à atuação nas mídias sociais.

Blogs Corporativos: modismo ou tendência? – 2ª edição

Com conteúdo revisado, a obra reúne os conceitos do mundo digital, das redes sociais online e de todas as tendências relacionadas às tecnologias digitais, a fim de facilitar as tarefas cotidianas, ao mesmo tempo em que posiciona as grandes organizações no cenário moderno atual.

O livro aborda o mundo digital e todo o contexto que envolve o mesmo, afirmando que mais do que modismos, as mídias sociais e suas respectivas características ganharam a preferência dos internautas, firmando-se como tendências na arte de se comunicar, além de ampliar o diálogo das organizações com seus públicos, facilitando a comunicação e instaurando uma nova era de interatividade e colaborações nos negócios.

Lançamento 
Data: 28/3
Horário: a partir das 19h
Local: FNAC do Shopping Morumbi, localizada no piso Lazer
Endereço: Av. Roque Petroni Jr., 1089

domingo, 4 de março de 2012

Empresas largam intranet e adotam redes sociais

Sinal dos tempos, as empresas finalmente abrem os olhos e a mente e começam a integrar as redes sociais no dia-a-dia organizacional. A notícia saiu no jornal Folha de São Paulo de sábado, dia 03 e março de 2012, e reproduzo aqui apenas o resume dela que foi publicado na página C18, conhecida como Folha Corrida, um sumário das notícias do dia.

"Grandes empresas, como Aorta e Pão de Açúcar, estão substituindo a intranet pelas redes sociais.
A Telefônica, por exemplo, adotou o Facebook. Funcionários de nove Estados da empresa trocaram as reuniões presenciais por um grupo na rede social. Na Aorta, o s funcionários ficaram sabendo pelo  Facebook que a empresa havia sido comprada por uma holding digital a RBS.
O grupo Estácio, Endeavor e Santander preferiram o site by You, que permite conexão com o site de Mark Zuckerberg.
A escolha de uma mídia social faz parte de uma mudança de comportamento. 'A geração que estará sentada nas nossas empresas nos próximos anos é muito mais colaborativa', afirma Laércio Cosentino, presidente da Totvs, que desenvolve o by You."


Fonte: Folha de São Paulo, Folha Corrida, C18, 3/03/2012. Para ler a íntegra da matéria é preciso ser assinante da Folha ou do UOL

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Teletrabalho: PL-03129/2044 agora é Lei Ordinária!

Finalmente, o trabalho feito a partir de casa, utilizando a Tecnologia da Informação e Comunicação é oficialmente reconhecido por lei!

Parabéns a todos que vêm lutando por isso e que, como eu, acreditam que o trabalho à distância é uma das formas mais sustentáveis de trabalho urbano!


Este é o presente de Natal que esperamos por anos e que nos leva a crer que 2012 será um ano de muito mais qualidade de vida, oportunidades de trabalho e sustentabilidade no nosso país.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Zara Brasil: gato escaldado...

Depois do abalo na imagem causado pelo trabalho escravo que confeccionava roupas para serem vendidas pela Zara, a empresa resolveu contratar um profissional de comunicação para trabalhar no escritório, em Barueri.

Das sete atribuições relacionadas na descrição da vaga (toda redigida em inglês), ocupa a primeiríssima posição a seguinte:

Identificar permanentemente a percepção da imagem do grupo em todas as diferentes marcas, PREVENIR RISCOS [grifo meu] e identificar soluções para evitar quaisquer possíveis SITUAÇÕES DE CRISE [grifo meu]. (tradução livre)

É uma pena que, como em grande parte das empresas, tenha sido necessário primeiro haver um incêndio para depois investirem em prevenção - ao mesmo tempo em que haverá um belo trabalho de rescaldo. Por outro lado, é louvável que a Zara esteja procurando aprender com o erro, pois não raro se vê empresas que procuram minimizar os problemas, tapar o sol com a peneira e insistirem no caminho mais curto, mais barato e mais arriscado.

Espero que a Zara seja bem-sucedida na seleção dos profissionais que assessorarão a empresa e que estejam abertos para ouvir, entender e atender as propostas que os responsáveis pela comunicação certamente apresentarão.

Desejo sorte e sucesso à Zara!

-> E se você quiser se candidatar, acesse o Vagas.com e busque a vaga v463015! Sorte e sucesso para você também!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Os e-readers, a tecnologia e você

Quem me conhece sabe que sou altamente tecnológica, quase sempre vanguardista e até pioneira quando o assunto é equipamentos, softwares e as TICs em geral, bem como sobre a influência de tudo isso no comportamento e nas mudanças culturais na nossa sociedade. Porém, quem me conhece também sabe que sou dada a fazer questionamentos, a não engolir por engolir, a saber o que e como está acontecendo, e a fazer com que as outras pessoas também questionem e não sejam simples fantoches nas mãos do mercado. Intolerante? Talvez...

Mas, então, não estranhem este post. Estou fazendo aquilo que sempre fiz: colocando o dedo na moleira de todos e querendo saber se são apenas marias-vão-com-as-outras ou se são cidadãos conscientes que fazem jus à educação formal e informal que receberam das instituições de ensino e de suas famílias.
Li hoje que a nova versão do e-reader de certa marca famosa tem um catálogo de 630.000 livros. Comentei isso com o meu marido e resolvemos fazer uma continha básica para saber quantos livros uma pessoa “normal” teria que ler por dia para dar conta desse catálogo.
Considerando que uma pessoa tenha uma vida-útil-leitora de certa de 70 anos (alfabetizou-se com 7 anos e seguiu saudável e lúcido até os 77), ela precisaria ler 24,6 livros por dia, sem levar em conta o número da páginas ou de palavras de cada livro, para ler os tais 630 mil livros disponíveis no catálogo.

Agora, pergunto:
- Você, que tem uma educação formal de ensino médio ou superior completos e de qualidade, é uma pessoa culturalmente articulada e bem informada, quantos livros tem tempo e disposição para ler POR MÊS?
Mais perguntas:
- É fácil, agradável e confortável ler em um e-reader quando você está sentado embaixo do guarda-sol, na praia, ou na varanda da sua casa ou sacada do apartamento?
- O carregador do seu e-reader é o mesmo do seu celular, notebook, netbook ou GPS e não é preciso levar MAIS UM na sua bolsa ou mala de viagem?
- Você acha prático, por exemplo, ir viajar e levar um e-reader ALÉM dos seus inseparáveis netbook ou notebook e smartphone, considerando que e-books também podem ser lidos neles?
- Você acha mais sedutor, tátil, aromático e emocionante um e-reader do que um livro tradicional?
- Você precisa de um e-reader com mil livros na memória quando fica numa sala de espera ou um único livro é suficiente?
- Você acha que parece mais atraente, interessante, inteligente e bem-sucedido quando veem você lendo em um e-reader do que em um livro tradicional?
Entendo que os livros em papel têm um grande fator que lhes prejudica a imagem no mercado: o uso de celulose proveniente da derrubada de árvores, e de tinta proveniente de diversas fontes. Num primeiro olhar, os livros são ambientalmente incorretos. A menos que venhamos a descobrir que é feito de papel reciclado, de árvores plantadas especialmente para esse fim, tintas biodegradáveis que não afetam o meio-ambiente, etc.
Por outro lado, não temos conhecimento do impacto ambiental causado por equipamentos já integrados no nosso dia-a-dia, como PCs, notebooks e celulares, assim como os e-readers, ainda entrantes no mercado. Será equivalente, menor ou maior?
Pense nisso e me ajude a formar uma opinião a respeito dos e-readerse!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Coleção Panos de Prato Zaffari – 1990

1990
Chegou então a nova década! Muita esperança de melhores tempos, de economia mais equilibrada no país, de chances de crescimento e melhores condições de vida.

Meu marido e eu estávamos nos equilibrando financeiramente, ele começou a trabalhar como funcionário, mesmo (até então era estagiário), de uma empresa do pólo petroquímico. Tudo começou a se acomodar melhor.

Fernando Collor de Mello assume a presidência do Brasil no dia 15 de março, e apesar de não ser a 8ª maravilha do mundo, nem a escolha de grande parte dos brasileiros, quando um novo presidente assume, sempre se renovam as esperanças: “Quem sabe as coisas mudam?”

Mudaram. Pelas mãos da ministra Zélia Cardoso de Mello, devidamente mancomunada com o presidente recém empossado, no dia seguinte, 16 de março, caiu como um tijolo sobre as nossas cabeças o Plano Collor I. O Brasil inteiro acordou com suas poupanças confiscadas e o máximo de dinheiro que qualquer um tinha “sobrando” eram NCZ$50 mil (cinquenta mil cruzados novos), ou o equivalente, hoje, a mais ou menos R$50 (cinquenta reais).

A vantagem? Para nós, a nossa pequena família, não mudou muita coisa. Afinal, nem tínhamos condições de ter dinheiro em poupança, ainda. Mas a coisa ficou preta para muita gente! Houve uma quebradeira geral, empresas e pessoas quebrando, crises nervosas e até suicídios pipocando Brasil a fora. O escambo, permuta de produtos por serviços e vice-versa, foi a principal moeda de troca por algum tempo. Nós continuamos a fazer nosso ranchinho no Zaffari da Fernando Machado, com mais parcimônia ainda que nos anos anteriores, mas sem maiores tropeços.

Mas, não deixou de ter um lago cômico na tragédia. Afinal, Collor havia sido eleito justamente por aqueles que temiam que o candidato metalúrgico de esquerda ganhasse as eleições e viesse a implantar o comunismo no país, a confiscar propriedades urbanas e rurais, entre outras possibilidades. Pois, mesmo assim, os eleitores foram vítimas de seus medos e acabaram sendo roubados pelo candidato de direita em quem votaram.

Outra notícia-bomba chegou quase no final do ano, em outubro, desta vez com exclusividade para a nossa família: eu estava grávida novamente! Comecei a ter dores, o que, pelas duas gestações anteriores eu sabia que não era normal. O médico pediu uma ecografia (ou ultrassom, para quem não conhece o sinônimo) ainda no primeiro mês de gravidez, e constatou-se um mioma de 11cm de diâmetro que estava, com seu tamanho e peso, torcendo a trompa – por isso a dor.

O dr. Breno disse que iríamos fazer ecografias mensais para acompanhar o desenvolvimento do mioma. Se evoluísse precisaria cirurgia, mas disse que muitas vezes a carga hormonal da gestação faz os miomas diminuirem, e que essa era uma forte possibilidade.

No mês seguinte, fiz a ecografia de controle. De fato, o mioma já havia diminuído um pouco. Porém... a última notícia bombástica do ano veio junto: eu estava grávida de gêmeos! Passamos aquele final de ano de molho: eu tive duas ameaças de aborto, um na véspera do Natal e outro na véspera do Ano Novo.
Na boa? Todo mundo não via a hora de acabar esse ano fatídico!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Coleção Panos de Prato Zaffari – 1989

1989

Difícil esquecer que nesse ano aconteceu a eleição de Fernando Collor de Mello como Presidente da República. Lembro que ele se elegeu não por mérito próprio, mas pelo temor que se abateu sobre grande parte da população, em especial as classes média e alta, de que o então sindicalista Luis Inácio “Lula” da Silva, do ainda jovem Partido dos Trabalhadores, se elegesse e levasse o Brasil a um regime comunista de governo. Temiam que propriedades conquistadas pelo suor do trabalho fossem confiscadas e redistribuídas, numa espécie de “reforma agrária e urbana” ampla e irrestrita.
Difícil esquecer que a inflação comia o salário por uma perna e que recebíamos hoje e precisávamos correr ao supermercado para fazer as compras do mês ainda hoje para garantir a alimentação e produtos básicos de higiene e limpeza. No dia seguinte, o salário já não valia 2/3 do que quando entrava na conta. Um litro de leite, fundamental para as crianças, era remarcado diariamente, assim como todos os outros produtos nas prateleiras.
Personagem típico da época, o "remarcador maluco".
Na época até ficou famosa a figura caricata do “remarcador maluco”. Inspirado no “carimbador maluco” da música do Raul Seixas, era o funcionário das lojas e mercados que passava literalmente o dia todo remarcando os preços com a maquininha em punho. Era o próprio trabalho sem fim, quando terminava na última prateleira já tinha que recomeçar a remarcação com valores mais altos.
Lá em casa, a nossa salvação era o Zaffari da Fernando Machado. Não sei se foi nessa época que o slogan da rede, Economizar é comprar bem, foi criado, mas independente disso, nunca uma verdade foi tão grande. Como o Zaffari sempre primou pela qualidade dos produtos, nós sabíamos que eventualmente até se pagava um pouco mais por alguns deles, mas a compensação era clara: os produtos rendiam mais, duravam mais, consequentemente o mesmo acontecia com o nosso dinheiro.
Uma ótima lembrança desse ano: o nosso Grêmio Football Porto-Alegrense foi campeão invicto da 1ª edição da Copa do Brasil de Futebol! Eu já tinha comentado que toda a família é gremista?

O reconhecimento do valor das Relações Públicas

A celeuma criada pelo fundador da Facamp, sr. João Manuel Cardoso de Mello ao dizer que o curso de Relações Públicas - entre outros que citou - eram de segunda categoria, sacudiu as bases de profissionais, estudantes e professores de Relações Públicas. Sendo ele um economista, e já tendo feito parte do Ministério da Fazenda há mais de duas décadas, é no mínimo de admirar que ele tenha cometido um ato tão falho e desprezível ao manifestar preconceito em relação a cursos e profissões que – ao que tudo indica – desconhece completamente.

A comunidade dos Relações Públicas tem se manifestado via Twitter e blogs, e, conforme informação divulgada no blog O Cappuccino ocorreu hoje (29/10) reunião entre o dito professor e uma comissão formada representantes da nossa categoria (Conrerp, ABRP, Veris, Puccamp, Cásper Líbero e ECA/USP).

Nós, profissionais e acadêmicos de Relações Públicas, aguardamos para conhecer o resultado desse encontro. Na minha opinião, seria satisfatório se houvesse uma retratação pública da parte do sr. João Manuel e a criação de uma área de Relações Públicas na Facamp para que incidentes desse tipo e outros nunca mais voltem a acontecer naquela instituição ou com seus porta-vozes.

O reconhecimento do valor das Relações Públicas, que já é uma realidade no mercado de trabalho e no meio organizacional, também precisa passar, necessariamente, pelas demais profissões, cursos, instituições e professores deste País.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O futuro do Teletrabalho nas mãos dos jovens!

O artigo a serguir foi publicado na Veja SP de 27/10/2010, é de autoria de Ivan Angelo, e mostra que se as empresas não adotam por iniciativa própria o trabalho a distância, são obrigadas, pouco a pouco, a ceder espaço ao teletrabalho para poder atrair e reter os novos talentos que chegam ao mercado.

"NOVA GERAÇÃO
O rapaz chegou para a entrevista. O executivo de vendas on-line da grande empresa levantou-se para apertar sua mão, com aquela simpatia que os executivos de grandes companhias exibem quando querem transmitir acolhimento e calor humano. Aproveitou para dar uma geral no rapaz.
Arrumado, mas nada formal, de sapato novo, jeans, camisa de manga comprida enrolada até a metade do antebraço. O detalhe que o incomodou um pouco foi um brinquinho prateado de argola mínima na orelha esquerda. “Nisso dá-se um jeito depois, se valer a pena”, pensou o executivo.
Ele sabia que não estava fácil atrair novos talentos e reter os melhores. Empresas aparelhavam-se para o crescimento projetado do país, contratavam jovens promissores, mesmo os muito jovens, como era o caso do rapaz à sua frente, 21 anos. Elas precisavam estar preparadas para os próximos dez anos de concorrência.
Havia mais de duas horas que o rapaz estava em avaliação na empresa. Passara pela entrevista inicial com o chefe do setor, resolvera os probleminhas técnicos de internet e programação visual que lhe apresentaram, com rapidez e certa superioridade irônica, lera os princípios, valores e perfil da empresa, apresentados numa pasta de folhas de papel-cuchê embutidas em plástico. Alguns itens, como “comprometimento”, foram apresentados como pré-requisitos. Afinal o encaminharam para o diretor da área de e-comerce, vendas pela internet. O executivo tinha em mãos a avaliação do candidato: excelente.
Descreveu o trabalho de que a empresa necessitava: desenvolvimento de um site interativo no qual o cliente internauta pudesse fazer simulações de medidas, cores, ajustes, acessórios, preços, formas de pagamento e programação de entrega de cerca de 200 produtos. Durante sua fala, o rapaz mexeu as pernas, levantou um pé, depois o outro, incomodado. O executivo perguntou se ele se sentia apto.
— Dá para fazer — respondeu o rapaz, movendo a perna, como se buscasse alívio.
— Posso te ajudar em alguma coisa?
— Vou te falar a verdade. Eu comprei este sapato para vir aqui e ele está me apertando. Eu só uso tênis.
O executivo sorriu e pensou: “Esses meninos...”.
— Quem falou para eu vir fazer esta entrevista, e vir de sapato, foi minha namorada. Porque eu não vinha. Ela falou para eu comprar sapato, e o sapato está me apertando aqui, me atrapalhando.
Nos últimos anos, o executivo vinha percebendo que os desafios pessoais para a novíssima geração eram diferentes, e que havia limites para o que eles estavam dispostos a ceder antes de se comprometer com um trabalho formal.
— Não tem problema. Pode vir de tênis. O emprego é seu.
— Não, obrigado. Eu não quero emprego.
O executivo parou estupefato. O menino continuou:
— Todo mundo foi muito gentil, mas não vai dar. Esta camisa é do meu pai, eu tenho tatuagem, trabalho ouvindo música.
— Então por que se candidatou, se não queria trabalhar?
— Desculpe, eu não falei que não queria trabalhar.
Novo espanto do executivo. Sentia nas falas dele e do rapaz uma dissintonia curiosa. Como ficou calado, esperando, o rapaz prosseguiu:
— É muito arrumado aqui. E eu não quero ficar ouvindo falar de identidade corporativa, marco regulatório, desenvolvimento organizacional, demanda de mercado, sinergia, estratégia, parâmetros, metas, foco, valores... Desculpe, eu não sabia que era assim. Achava que era só fazer o trabalho direito e ver funcionar legal.
O executivo ficou olhando a figura, contando até dez, olhos fixados naquele brinco. O garoto queria ter a liberdade dele, a camiseta colorida dele, o tênis furado dele, ouvir a música dele nos fones de ouvido, talvez trabalhar de madrugada e dormir de manhã. Não queria aquele mundo em que ele mesmo estava metido havia vinte anos. Conferiu de novo as qualificações do rapaz, aquele “excelente”. Ousou:
— Trabalhar em casa você aceita?
— Aceito.
Queria o trabalho, não o emprego. Acertaram os detalhes. Assim caminha a humanidade."

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O meu 1º presente de aniversário do ano

Desculpem, mas preciso fazer parênteses aqui, entre um pano de prato e outro.

Até já havia twitado que quando cheguei em casa, na sexta-feira, dia 08/10, tinha um presente lindo me esperando na cozinha. Pedi para adivinharem, lembram?

anamanssour
Oct 08, 9:26pm via Twipic
Cheguei em casa e tinha um presente em cima da mesma me esperando. Meu primeiro presente de aniversário. Adivinhem! http://twitpic.com/2vtujr


É que o meu aniversário é no dia 11, e a gente nunca espera ganhar um presente antes do dia. Mas, quando vi o estilo do pacote, na mesma hora eu soube de quem era. É claro que vocês também já sabem quem foi o remetente, né? O Zaffari!

Olhem o recheio do pacote: vinho espumante e bombons recheados de avelã. Hhhmmm... Delicia!



E a mensagem no cartão? Adorei!


"A glória da amizade não está na mão estendida, nem no sorriso carinhoso, nem mesmo na delídia da companhia. Ela está na inspiração que vem quando descobrimos que alguém acredita em nós."

Não é lindo? Me emocionei... Aliás, gostaria de saber quem é o autor. Muito bonito!

Zaffari, muito obrigada! Eu estava tão borocochô naquele dia... Vocês fizeram toda a diferença!

Um beijo no coração de cada um que faz parte do Grupo Zaffari.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Coleção Panos de Prato Zaffari – 1988

1988

Os 13 anos que separam o pano de prato de 1975 deste de 1988 fizeram uma revolução na minha vida. Muita coisa mudou.

Aqui já estou casada, mãe de duas filhas, a mais velha com 6 anos, a mais nova com quase três. Moramos em um pequeno apartamento de um quarto na rua Demétrio Ribeiro, a pouco mais de 4 quadras de distância do Zaffari da rua Fernando Machado. Eu, funcionária do Processamento de Dados do Banrisul (Banco do Estado), fazendo a faculdade de Relações Públicas na PUC-RS em doses homeopáticas, conforme a grana consegue pagar entre 3 a 6 disciplinas por semestre.

Meu marido faz o curso de Engenharia Química, também em regime homeopático na PUC-RS, e trabalha em turnos numa empresa petroquíica no pólo de Triunfo. Nossos pais ajudam em tudo e de tempos em tempos fazemos as nossas compras no Zaffari indo a pé com as crianças. Às vezes voltamos de táxi quando fazemos um rancho maior e não conseguimos carregar tudo pelas quatro quadras.

Minha filha mais velha, do alto dos seus maduros seis anos, olha para a rampa que leva ao estacionamento em cima do supermercado, e sonha em voz alta: - Mãe, um dia quando a gente tiver um carro vermelho, eu quero subir a rampa do super!

Imaginem... Ter um carro era algo completamente fora das nossas possibilidades! Com duas filhas, morando em um apartamento de um quarto emprestado, pagando faculdade, essa era uma ambição que estava muito longe de alcançarmos. Mas como explicar isso para uma criança? Houve uma vez que ela me perguntou, de dentro do ônibus quando passávamos perto do prédio onde eu trabalhava, por que eu não podia simplesmente pegar dinheiro da minha conta no banco para comprar um brinquedo que ela tinha visto? Afinal, eu trabalhava no banco...

Mas ela sempre foi esperta, e quando expliquei que na minha conta só havia o dinheiro do trabalho que eu fazia, passou a se sentir responsável pelo orçamento da casa e durabilidade do nosso dinheiro. Então, quando via os iogurtes da Turma da Mônica ou alguma outra guloseima que lhe chamava a atenção, sempre me alcançava com a etiqueta do preço bem à vista e perguntava se era muito caro. Nós até não tínhamos condições de dar presentes caros, mas nunca deixamos de comprar e oferecer o melhor para elas em termos de alimentação, e é claro que procurávamos levar alguma guloseima diferente sempre que possível.

Nossos passeios em família eram simples: rancho no Zaffari, passeios no parque perto de casa aos sábados, nos domingos almoço com os avós e longas viagens de ônibus urbanos ou trem para irmos às feiras de filhotes, Expointer e outros programas para lá de puxados, mas que deixavam as meninas felizes, e depois bem cansadas, prontas pra dormir!

Não custa lembrar, para quem viveu a época, e ensinar para os mais jovens, que nesse ano vivíamos o auge da inflação galopante – em que o dinheiro desvalorizava em questão de horas – e o primeiros tempos da abertura política pós-ditadura militar. Nesse ano foi assinada a Nova Constituição Brasileira, que vigora até hoje, um marco histórico na história política do País.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Coleção Panos de Prato Zaffari – 1975

1975

Morávamos, meus pais e eu, na rua General Auto e o Zaffari da Fernando Machado ainda não existia. Passeio bacana era ir de carro fazer o rancho no Zaffari da Ipiranga, que na época achávamos longíssimo de casa, e sonhar que um dia teria um pertinho de nós. Como dá para notar, o pano de prato tá bem usadinho. Trabalhou duro na cozinha por anos a fio, mas agora já faz uns 10 anos que está aposentado e entrou para o “hall da fama” da família.

Nesse ano tive meu primeiro namorado, aos 13, e dei meu primeiro beijo, mas ainda ganhei uma boneca – que eu pedi – de aniversário. Eu teria terminado o primeiro grau, mas fiquei em exame de Matemática, precisando tirar 10. Tive aulas de reforço com professora particular, mas no dia de fazer a prova, desisti. Passei o ano inteiro matando aula, e queria tirar 10 na prova? Até poderia conseguir, mas não estava a fim de tentar. Foi um ano difícil e complicado, com meus pais num processo de separação meio louco e eu tentando – com pouco sucesso – não ficar na linha de fogo, ao mesmo tempo em que iniciava oficialmente a minha adolescência.

Algumas das aulas que matei foram para ficar em casa dormindo, pois passava as noites e madrugadas inteiras lendo. Foi quando estive fascinada por culturas e sociedades antigas e teorias relacionadas com a influência de seres interplanetários no desenvolvimento do conhecimento dessas civilizações. Fui praticamente abduzida por livros como “Eram os Deuses Astronautas?”, “Os Mistérios da Ilha de Páscoa”, “A Civilização Maia” e “A Civilização Egípcia”. Também retomei a coleção do Monteiro Lobato para reler, com outros olhos, “Os Doze Trabalhos de Hércules”, sobre a Grécia Antiga. Mas várias outras vezes fui passear na rua dos Andradas e fazer lanche no Rib’s ou nas Americanas!

Nessa época, estudava no Colégio das Dores e na hora de ir para a aula me encontrava na esquina de casa com o colega e amigo Sady Homrich, que morava na Fernando Machado, uma quadra antes, para irmos juntos pelas restantes 5 quadras que percorríamos a pé (Fernando Machado, Bento Martins e Riachuelo) até chegar no colégio. Estávamos em turmas diferentes, mas era bom ter uma companhia legal pelo caminho. Vários anos mais tarde, o Sady veio a fazer parte da banda Nenhum de Nós.

Sou 100% a favor da liberdade de matar aula. Minhas 4 filhas sempre tiveram essa liberdade. Não tá a fim de ir? Quer ficar dormindo? Quer passear? Beleza! Só avisa para eu não levar um susto quando telefonarem do colégio! Acho um verdadeiro absurdo o que acontece em algumas escolas de algumas cidades em que os alunos gazeteiros são caçados como criminosos e os pais multados e levados a juízo por causa das faltas dos filhos à escola. Não se pode nem se deve obrigar as pessoas a aprender. A lei da seleção natural, como bem comprovou Darwin, se encarrega de punir, se for o caso, aqueles que escolheram ficar ignorantes. Por outro lado, tudo o que é proibido sempre é mais tentador. E matar aula tem um gostinho delicioso quando estamos na adolescência, não tem? Fala sério!


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Minha homenagem aos 75 anos do Grupo Zaffari

O Grupo Zaffari está comemorando seus 75 anos com uma promoção muito bonita. Uma História Bem Familiar convida os clientes a relatarem, em 1500 caracteres, um fato marcante em suas vidas que tenha acontecido em uma das lojas Zaffari ou em um dos Bourbon Shopping. Das histórias que forem enviadas, serão selecionadas 75, que darão aos autores, como prêmio, um diamante.

Não vou poder participar, porque faço parte da comissão julgadora. Mas eu gostaria muito de poder contar algumas histórias. Então, resolvi ter uma participação hors concours, como uma forma pessoal de homenagear os 75 anos do Grupo Zaffari, mostrar que por pelo menos 35 anos posso comprovar nosso “relacionamento” (isso já é pra lá de estável perante a justiça!) e que, ainda mais do que uma “Amiga da Marca”, sou uma “Zaffari Lover”!

Ao longo de vários posts (não sei quantos, porque depende da minha disponibilidade de tempo para conseguir elaborar cada etapa), vou publicar todos os panos de prato do Zaffari que coleciono, desde o mais antigo, de 1975, até o mais novo, de 2010*, e ir traçando um paralelo em relação à minha vida e ao contexto da época.

Para os meus amigos, colegas e ex-alunos-eternos-filhos, é uma maneira de conhecerem um pouco mais a minha história e algumas coisas que já vivi. Para eventuais inimigos, talvez seja munição para futuras acusações (rs), porque notarão que eu NÃO SOU a mesma que era há anos atrás. Sim, fui mudando conforme o tempo e a vida foram passando – embora não tenha mudado meus valores, apenas aprendido a avaliar melhor coisas e pessoas. E já vi muitos casos ao longo dos anos em que pessoas – públicas ou não – foram acusadas de terem mudado de idéia como se isso fosse crime!

Bom, vou indo para começar a seção fotográfica, depois ver se as fotos ficaram boas, selecionar, começar a fazer os textos, publicar... Tenho trabalho pela frente!

* Há algumas lacunas que, se alguém quiser colaborar e me mandar os panos de prato dos anos que faltam para completar a minha coleção, agradecerei para sempre! Os que ainda não tenho são os de 1976 a 1987 e os de 1992 e 1993.


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Profissionais Sem Teto, ou... "teletrabalhadores"

Eu sei. Eu sei que está publicado no site também. Mas é um assunto tão bom, e a matéria está tão boa, e o teletrabalho SEMPRE foi minha menina dos olhos, que me sinto obrigada a publicar também aqui no blog. Por favor, não briguem comigo, leiam, e pensem no quanto isso pode ser bom para vocês, para sua empresa, para o trânsito da cidade, para a redução da poluição, para o bem-estar dos trabalhadores, para as pessoas que se deslocam diariamente pela cidade, de uma ponta a outra para ir ao trabalho e não ganham tão bem!

A mátéria saiu na Info impressa de agosto mas não está publicada online em lugar algum, nem no site da Info. Então, eu estou disponibilizando para vocês, porque vale a pena!


PROFISSIONAIS SEM TETO
Veja o arsenal de equipamentos e serviços adotados pelas pessoas que não têm escritório fixo
Trocar um emprego fixo pelo trabalho autônomo é algo que pode assustar a muitas pessoas. Afinal, lá se vão o salário mensal garantido e a infraestrutura da empresa. Mas essa maneira de trabalhar também traz vantagens, como poder atender a múltiplos clientes e fazer seus próprios horários. O problema da infraestrutura pode ser resolvido com um bom kit de trabalho móvel onde um notebook, um smartphone e um modem 3G são peças básicas. Além disso, é possível trocar a solidão do escritório doméstico por um dos espaços de coworking que começam a ser tornar comuns no país.
Um exemplo dessa nova geração de profissionais nômades é a paulista na Charlotte Cowell, de 36 anos. Ela é gerente de vendas para o Mercosul da empresa canadense AldeaVision, que oferece um serviço de transmissão de dados para TV. Charlotte virou uma profissional sem teto há quatro meses. Os canadenses pediram que ela usasse sua casa como escritório. Ela até tentou, mas não gostou da ideia porque divide a casa com uma amiga e não tem espaço disponível. Além disso, não se sente bem trabalhando isolada, sem pessoas para trocar ideias. Ela até procurou um escritório para alugar. Mas não deu certo... Percebi que ficaria muito caro, além de não resolver o problema de estar só o tempo todo", explica.
Charlotte resolveu a questão alugando um espaço no escritório de coworking Pto de Contato (ptodecontato.com.br), no bairro de Pinheiros, em São Paulo, a duas quadras da sua casa. De mochila nas costas, ela carrega o notebook de um lado para o outro. Em alguns dias, fica em casa. Em outros, se manda para o escritório coletivo, onde entra profissionais de várias áreas e mata a saudade do ambiente corporativo. Durante a semana, também visita clientes. Como a sede da empresa fica em Montreal, Charlotte fala com seu chefe via VoIP. Ela tem um telefone virtual, com número fixo canadense, e também usa o Skype. Recentemente, Charlotte teve que comprar um celular BlackBerry, meio a contragosto. “Os canadenses são muito dependentes do smartphone”, diz. Charlotte também acabou ficando dependente do aparelho. "Checo e-mails o tempo todo e estou sempre disponível", afirma. O lado bom veio em cifras. Ela ganha, hoje, 50% mais do que recebia no emprego anterior, quando tinha escritório fixo.
Como Charlotte, o paulista no Christiano Anderson, de 31 anos, passou a ganhar mais quando perdeu o teto. Formado em administração e comércio exterior, ele abriu uma empresa de consultoria de internet, a Trianguli, em 2007. Passou, então, a trabalhar em casa, e, quando viaja, em cafeterias e hotéis. Anderson também utiliza um escritório coletivo para receber clientes e fazer networking. "Em casa, tenho telefone fixo, internet de 10 Mbps e servidor." Na mochila, ele carrega onotebook, o smartphone Nokia E71 e dois modems 3G, um da Oi e outro da Claro, só por garantia. Anderson não tem dúvidas de que trabalha mais do que quando era funcionário de uma empresa. Mas o esforço é recompensado. "Ganho cerca de três vezes o que ganhava", afirma.
A liberdade do profissional sem teto costuma acabar onde termina o sinal da internet. Foi o que descobriu o mineiro Breiller Pires, de 24 anos. Formado em jornalismo, ele trabalha com marketing, redes sociais e cobertura de eventos online há um ano e meio. Na casa onde mora com os pais, em Belo Horizonte, ele tem uma conexão de 3 Mbps. Também tem um modem 3G da Claro, que carrega sempre consigo. "Há quem pense que é uma vida fácil, mas não é. Trabalho 24 horas por dia, em qualquer lugar, e sem receber pelas horas extras", diz. "Até quando estou com minha namorada num restaurante trabalho pelo srmartphone", afirma. Estar disponível o tempo todo não é problema para Pires. O que o incomoda é a limitação da conexão 3G. "Eu cubro eventos esportivos e preciso enviar conteúdo para o YouTube. Isso exige boa conexão, nem sempre disponível", lamenta.
Um dos seus apuros aconteceu quando viajou para um sítio. "Levei modem, smartphone e notebook para trabalhar de lá", lembra. Mas ele esqueceu que precisaria contar com a boa vontade da rede 3G. "Quando percebi que estava totalmenteoffline, pensei em ir à cidade, mas desabou uma chuva e fiquei ilhado", conta. Pires precisou subir ao alto de um morro para' mandar e-mail a um cliente. "Caminhei debaixo de chuva, com o notebook na mão, até encontrar sinal de celular", diz. Para ele, uma vantagem de ser um profissional nômade é poder prestar serviços a clientes de outros estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, que, segundo ele, pagam mais do que os de Minas Gerais. Pires ganha, em média, 4 000 reais por mês. "Ganharia menos se trabalhasse num lugar fixo em Belo Horizonte", diz.
Já o publicitário paraense Bernie Walbenny, de 25 anos, trabalha na capital paulista como produtor de eventos e empresário de bandas. Para ele, a vantagem de ser um sem teto é ter menos estresse. A desvantagem? Ele não conhece. Walbenny anda de um lado para o outro - quase sempre de ônibus e metrô com um MacBook na mochila e um celular Nokia N85 no bolso. "Posso trabalhar onde estiver - em casa, no shopping ou durante uma viagem", diz. Na rua, Walbenny utiliza principalmente o smartphone. Se necessário, abre o notebook e acessa a internet usando a conexão bluetooth do celular. Para ele, não existe hora nem lugar certos para o trabalho - e isso é ótimo. "Posso virar uma noite trabalhando, e, no dia seguinte, só descansar. Ter de estar todo dia no mesmo lugar e cumprir horários fixos me estressa", revela. Há também uma vantagem financeira: Walbenny estima que ganharia metade do que ganha hoje se tivesse um emprego formal.
por Fernanda Bottoni, na Revista Info de Agosto de 2010, p. 104/105.
Eu trabalho em casa, no meu pequeno escritório - ainda não exatamente como eu gostaria -, com toda a parafernália necessária, inclusive conexão banda larga wireless, rede doméstica interna, mais notebook e smartphone. De vez em quando preciso ir a São Paulo para reuniões, eventos, etc, às vezes uma, duas, até três vezes na semana; outras vezes uma, duas semanas sem precisar cruzar a Anchieta ou pegar a Imigrantes.

Finalmente tenho tempo para fazer esteira, e até comecei a fazer Pilates numa academia. Assisto meus seriados na TV à noite, trabalho mais um pouco até cerca de 2h da manhã (sempre tive espírito de coruja!), durmo até 8h30, às vezes um pouco mais. Tomo meu café com calma e consigo até dar uma folheada no jornal.

Procuro fazer pela manhã tudo o que for "na rua" (supermercado, passeios no shopping, banho da cachorra, médicos, dentistas, exames...), porque é sempre mais tranquilo, com menos movimento - e geralmente em um, ou no máximo dois dias da semana. Eventualmente, quando fico muito cansada ou pego um resfriado, até deito um pouco à tarde!

E para mim está ótimo assim! No momento, não consigo imaginar outro jeito de trabalhar que me faria mais feliz.