sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Teletrabalho: PL-03129/2044 agora é Lei Ordinária!

Finalmente, o trabalho feito a partir de casa, utilizando a Tecnologia da Informação e Comunicação é oficialmente reconhecido por lei!

Parabéns a todos que vêm lutando por isso e que, como eu, acreditam que o trabalho à distância é uma das formas mais sustentáveis de trabalho urbano!


Este é o presente de Natal que esperamos por anos e que nos leva a crer que 2012 será um ano de muito mais qualidade de vida, oportunidades de trabalho e sustentabilidade no nosso país.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Zara Brasil: gato escaldado...

Depois do abalo na imagem causado pelo trabalho escravo que confeccionava roupas para serem vendidas pela Zara, a empresa resolveu contratar um profissional de comunicação para trabalhar no escritório, em Barueri.

Das sete atribuições relacionadas na descrição da vaga (toda redigida em inglês), ocupa a primeiríssima posição a seguinte:

Identificar permanentemente a percepção da imagem do grupo em todas as diferentes marcas, PREVENIR RISCOS [grifo meu] e identificar soluções para evitar quaisquer possíveis SITUAÇÕES DE CRISE [grifo meu]. (tradução livre)

É uma pena que, como em grande parte das empresas, tenha sido necessário primeiro haver um incêndio para depois investirem em prevenção - ao mesmo tempo em que haverá um belo trabalho de rescaldo. Por outro lado, é louvável que a Zara esteja procurando aprender com o erro, pois não raro se vê empresas que procuram minimizar os problemas, tapar o sol com a peneira e insistirem no caminho mais curto, mais barato e mais arriscado.

Espero que a Zara seja bem-sucedida na seleção dos profissionais que assessorarão a empresa e que estejam abertos para ouvir, entender e atender as propostas que os responsáveis pela comunicação certamente apresentarão.

Desejo sorte e sucesso à Zara!

-> E se você quiser se candidatar, acesse o Vagas.com e busque a vaga v463015! Sorte e sucesso para você também!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Os e-readers, a tecnologia e você

Quem me conhece sabe que sou altamente tecnológica, quase sempre vanguardista e até pioneira quando o assunto é equipamentos, softwares e as TICs em geral, bem como sobre a influência de tudo isso no comportamento e nas mudanças culturais na nossa sociedade. Porém, quem me conhece também sabe que sou dada a fazer questionamentos, a não engolir por engolir, a saber o que e como está acontecendo, e a fazer com que as outras pessoas também questionem e não sejam simples fantoches nas mãos do mercado. Intolerante? Talvez...

Mas, então, não estranhem este post. Estou fazendo aquilo que sempre fiz: colocando o dedo na moleira de todos e querendo saber se são apenas marias-vão-com-as-outras ou se são cidadãos conscientes que fazem jus à educação formal e informal que receberam das instituições de ensino e de suas famílias.
Li hoje que a nova versão do e-reader de certa marca famosa tem um catálogo de 630.000 livros. Comentei isso com o meu marido e resolvemos fazer uma continha básica para saber quantos livros uma pessoa “normal” teria que ler por dia para dar conta desse catálogo.
Considerando que uma pessoa tenha uma vida-útil-leitora de certa de 70 anos (alfabetizou-se com 7 anos e seguiu saudável e lúcido até os 77), ela precisaria ler 24,6 livros por dia, sem levar em conta o número da páginas ou de palavras de cada livro, para ler os tais 630 mil livros disponíveis no catálogo.

Agora, pergunto:
- Você, que tem uma educação formal de ensino médio ou superior completos e de qualidade, é uma pessoa culturalmente articulada e bem informada, quantos livros tem tempo e disposição para ler POR MÊS?
Mais perguntas:
- É fácil, agradável e confortável ler em um e-reader quando você está sentado embaixo do guarda-sol, na praia, ou na varanda da sua casa ou sacada do apartamento?
- O carregador do seu e-reader é o mesmo do seu celular, notebook, netbook ou GPS e não é preciso levar MAIS UM na sua bolsa ou mala de viagem?
- Você acha prático, por exemplo, ir viajar e levar um e-reader ALÉM dos seus inseparáveis netbook ou notebook e smartphone, considerando que e-books também podem ser lidos neles?
- Você acha mais sedutor, tátil, aromático e emocionante um e-reader do que um livro tradicional?
- Você precisa de um e-reader com mil livros na memória quando fica numa sala de espera ou um único livro é suficiente?
- Você acha que parece mais atraente, interessante, inteligente e bem-sucedido quando veem você lendo em um e-reader do que em um livro tradicional?
Entendo que os livros em papel têm um grande fator que lhes prejudica a imagem no mercado: o uso de celulose proveniente da derrubada de árvores, e de tinta proveniente de diversas fontes. Num primeiro olhar, os livros são ambientalmente incorretos. A menos que venhamos a descobrir que é feito de papel reciclado, de árvores plantadas especialmente para esse fim, tintas biodegradáveis que não afetam o meio-ambiente, etc.
Por outro lado, não temos conhecimento do impacto ambiental causado por equipamentos já integrados no nosso dia-a-dia, como PCs, notebooks e celulares, assim como os e-readers, ainda entrantes no mercado. Será equivalente, menor ou maior?
Pense nisso e me ajude a formar uma opinião a respeito dos e-readerse!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Coleção Panos de Prato Zaffari – 1990

1990
Chegou então a nova década! Muita esperança de melhores tempos, de economia mais equilibrada no país, de chances de crescimento e melhores condições de vida.

Meu marido e eu estávamos nos equilibrando financeiramente, ele começou a trabalhar como funcionário, mesmo (até então era estagiário), de uma empresa do pólo petroquímico. Tudo começou a se acomodar melhor.

Fernando Collor de Mello assume a presidência do Brasil no dia 15 de março, e apesar de não ser a 8ª maravilha do mundo, nem a escolha de grande parte dos brasileiros, quando um novo presidente assume, sempre se renovam as esperanças: “Quem sabe as coisas mudam?”

Mudaram. Pelas mãos da ministra Zélia Cardoso de Mello, devidamente mancomunada com o presidente recém empossado, no dia seguinte, 16 de março, caiu como um tijolo sobre as nossas cabeças o Plano Collor I. O Brasil inteiro acordou com suas poupanças confiscadas e o máximo de dinheiro que qualquer um tinha “sobrando” eram NCZ$50 mil (cinquenta mil cruzados novos), ou o equivalente, hoje, a mais ou menos R$50 (cinquenta reais).

A vantagem? Para nós, a nossa pequena família, não mudou muita coisa. Afinal, nem tínhamos condições de ter dinheiro em poupança, ainda. Mas a coisa ficou preta para muita gente! Houve uma quebradeira geral, empresas e pessoas quebrando, crises nervosas e até suicídios pipocando Brasil a fora. O escambo, permuta de produtos por serviços e vice-versa, foi a principal moeda de troca por algum tempo. Nós continuamos a fazer nosso ranchinho no Zaffari da Fernando Machado, com mais parcimônia ainda que nos anos anteriores, mas sem maiores tropeços.

Mas, não deixou de ter um lago cômico na tragédia. Afinal, Collor havia sido eleito justamente por aqueles que temiam que o candidato metalúrgico de esquerda ganhasse as eleições e viesse a implantar o comunismo no país, a confiscar propriedades urbanas e rurais, entre outras possibilidades. Pois, mesmo assim, os eleitores foram vítimas de seus medos e acabaram sendo roubados pelo candidato de direita em quem votaram.

Outra notícia-bomba chegou quase no final do ano, em outubro, desta vez com exclusividade para a nossa família: eu estava grávida novamente! Comecei a ter dores, o que, pelas duas gestações anteriores eu sabia que não era normal. O médico pediu uma ecografia (ou ultrassom, para quem não conhece o sinônimo) ainda no primeiro mês de gravidez, e constatou-se um mioma de 11cm de diâmetro que estava, com seu tamanho e peso, torcendo a trompa – por isso a dor.

O dr. Breno disse que iríamos fazer ecografias mensais para acompanhar o desenvolvimento do mioma. Se evoluísse precisaria cirurgia, mas disse que muitas vezes a carga hormonal da gestação faz os miomas diminuirem, e que essa era uma forte possibilidade.

No mês seguinte, fiz a ecografia de controle. De fato, o mioma já havia diminuído um pouco. Porém... a última notícia bombástica do ano veio junto: eu estava grávida de gêmeos! Passamos aquele final de ano de molho: eu tive duas ameaças de aborto, um na véspera do Natal e outro na véspera do Ano Novo.
Na boa? Todo mundo não via a hora de acabar esse ano fatídico!